O uso crescente de ferramentas de inteligência artificial (IA) por alunos e professores do ensino médio tem ocorrido sem supervisão, orientação institucional ou políticas de segurança. É o que aponta o estudo qualitativo “Inteligência Artificial na Educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro”, divulgado nesta terça-feira (25/11/2025) pelo Cetic.br, que identificou emprego indiscriminado da tecnologia nas rotinas escolares de diferentes perfis de estudantes e docentes.
A pesquisa envolveu escolas públicas e privadas de São Paulo e Pernambuco e confirma dados da TIC Educação, que mostrou que 70% dos alunos e 58% dos professores utilizam IA generativa em atividades pedagógicas. O levantamento revela que os usuários recorrem às ferramentas para tarefas diversas, como pesquisas simples, produção de resumos, resolução de trabalhos completos e até apoio emocional.
Segundo a coordenadora do estudo, Graziela Castello, a ausência de protocolos e regras tem levado a um uso intenso, porém desregulado. Ela afirma que tanto alunos quanto professores desejam orientações claras sobre segurança, ética e limites da tecnologia.
Riscos educacionais e de segurança digital
O estudo mostra que estudantes reconhecem riscos associados ao uso da IA. Eles relatam temores de perda de autonomia intelectual, dependência tecnológica e comprometimento da criatividade. Também apontam receio de impactos na construção da própria identidade, diante de conteúdos gerados de forma padronizada.
Professores, por sua vez, utilizam IA para preparar aulas, organizar tarefas e apoiar atividades pedagógicas, mas sem diretrizes sobre quando e como empregar essas ferramentas. Educadores relatam preocupações com a queda no desempenho dos alunos em competências como redação, interpretação e linguagem.
A pesquisa indica que a falta de mediação agrava o cenário, já que docentes percebem aumento do uso da IA por estudantes, sem que escolas ofereçam condições para acompanhamento. Ambos os grupos demonstram interesse em formação específica para adoção segura e adequada.
Desigualdades no acesso e limitações estruturais
O estudo também identificou diferenças entre alunos de escolas públicas e privadas no uso da tecnologia. A principal desigualdade está na infraestrutura digital: estudantes da rede privada têm acesso ampliado a computadores, enquanto muitos da rede pública dependem exclusivamente do celular, o que reduz a eficiência no uso das ferramentas.
A restrição do acesso e os modelos pagos ampliam disparidades educacionais, reforçando barreiras já existentes. A coordenadora destaca que a implantação de políticas públicas deve considerar ações de letramento digital, fornecimento de infraestrutura e regulamentação do uso da IA para evitar ampliação das desigualdades.
Graziela aponta ainda a necessidade de verificar se soluções de IA são adequadas ao contexto brasileiro. A origem dos dados, a adaptação aos problemas nacionais e a segurança das informações utilizadas são pontos que exigem atenção de gestores públicos e especialistas.
Construção do pensamento crítico e necessidade de regulação
O levantamento evidencia que alunos entendem que a IA pode apresentar erros factuais, vieses e expressões inadequadas, mas ainda não possuem formação suficiente para identificar e corrigir esses conteúdos. A pesquisa defende que políticas públicas devem priorizar ações de letramento digital, regulação e desenvolvimento do pensamento crítico para que estudantes compreendam como verificar informações e evitar reprodução de distorções.
A coordenadora afirma que o avanço rápido das tecnologias exige respostas imediatas dos sistemas educacionais e regulatórios. Para ela, é necessário implementar protocolos, criar diretrizes claras e promover capacitação para que escolas naveguem de forma responsável no ambiente digital.
*Com informações da Agência Brasil.











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