O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (03/12/2025), o início de uma operação federal em Nova Orleans para prender imigrantes em situação irregular classificados como criminosos, afirmando que autoridades democratas locais não cooperam com agentes federais de imigração. A medida atende a um pedido do governador republicano da Louisiana e inclui o envio de militares da Guarda Nacional nas próximas semanas.
Segundo o governo, a ação segue o mesmo modelo adotado anteriormente em Los Angeles, Washington e Memphis, onde reforços federais foram mobilizados para apoiar operações da ICE (Imigration and Customs Enforcement). O Departamento de Segurança Interna reiterou que políticas consideradas de “santuário” em Nova Orleans reduzem a colaboração entre autoridades locais e agentes federais, o que, segundo a pasta, facilita a circulação de imigrantes irregulares procurados por crimes.
Um fotógrafo da AFP registrou prisões na manhã desta quarta-feira como parte da nova fase da operação. A Casa Branca afirma que os esforços são destinados a apoiar ações federais de imigração e reforçar estratégias de segurança pública.
Operação e justificativas do governo
Trump afirmou que o envio de militares deve ocorrer dentro de duas semanas, repetindo a justificativa aplicada em operações realizadas desde junho nas outras cidades citadas. Para o governo federal, a presença da Guarda Nacional fortalece a capacidade operacional da ICE, permitindo ampliar a execução de mandados e ações de busca.
O Departamento de Segurança Interna declarou em comunicado que o foco principal da operação está em “imigrantes em situação irregular criminosos em liberdade por causa das políticas de santuário”. A pasta sustenta que essas medidas locais impedem prisões e dificultam procedimentos de deportação.
Trump reforçou que o governo federal continuará associando esforços de segurança pública às ações de imigração, enfatizando que a operação se concentra — segundo sua avaliação — em indivíduos considerados prioritários pelas autoridades federais.
Divergências sobre dados e critérios de detenção
O governo norte-americano mantém o discurso de que a operação prioriza “os piores dos piores”, ou seja, imigrantes que cometeram crimes. No entanto, dados do Cato Institute apontam que apenas 5% dos detidos desde o início do ano fiscal, em 1º de outubro, foram condenados por violência, enquanto cerca de 70% não possuem antecedentes criminais.
O Departamento de Segurança Interna contesta essas estatísticas e afirma que “70% das prisões feitas pela ICE envolvem estrangeiros em situação irregular acusados ou condenados por crimes” nos Estados Unidos. A divergência entre as bases de dados reforça o debate nacional sobre critérios de prioridade em operações migratórias e a transparência sobre o perfil dos detidos.
Impactos e desdobramentos previstos
A operação em Nova Orleans deve se estender pelas próximas semanas, com possibilidade de novos reforços e etapas adicionais, a depender da avaliação da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna. Autoridades locais ainda não confirmaram se pretendem alterar políticas consideradas de santuário.
A mobilização federal ocorre em um momento de intensificação da pauta migratória no país, ampliando o debate sobre segurança pública, cooperação institucional e impactos das operações de deportação sobre comunidades locais.
*Com informações da RFI.











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