A Polícia Federal iniciou nesta quarta-feira (03/12/2025) uma operação para desarticular um grupo responsável por oferecer serviços clandestinos de ataques digitais DDoS sob demanda, conhecidos como booters e stressers. A ação busca interromper a atividade de plataformas que permitem a contratação desses ataques por qualquer usuário mediante pagamento.
Os ataques DDoS consistem em sobrecarga intencional de servidores e redes, inviabilizando o acesso de usuários legítimos. As ofensivas interrompem operações, causam prejuízos financeiros, dificultam transações e impactam a reputação de empresas e instituições afetadas. O fluxo massivo de requisições maliciosas é distribuído por múltiplas fontes, dificultando a identificação dos responsáveis.
Como parte da Operação Power OFFcom, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em São Paulo, São Caetano do Sul, Rio de Janeiro e Tubarão (SC). A investigação é realizada com apoio do FBI, que identificou a atuação global das plataformas e o uso de servidores distribuídos em diferentes países para dificultar o rastreamento.
Alvos e funcionamento das plataformas ilegais
Segundo a PF, os alvos da operação incluem administradores das plataformas irregulares e usuários que contrataram ataques contra sistemas considerados estratégicos. As ferramentas permitem que pessoas sem conhecimento técnico executem ofensivas contra serviços públicos e privados.
A apuração aponta que essas plataformas oferecem ataques mediante pagamento, com variações de intensidade e duração. A estrutura utiliza servidores hospedados em nuvem internacional para ampliar o poder de distribuição dos pacotes maliciosos.
Entre os ataques já atribuídos aos usuários investigados estão ofensivas contra órgãos brasileiros como Polícia Federal (2020), Serpro, Dataprev e o Centro Integrado de Telemática do Exército Brasileiro (2018), segundo informações divulgadas pela corporação.
Contexto e impactos investigados
A PF avalia que o uso de plataformas de ataque sob demanda facilita ações coordenadas com potencial de afetar serviços de alta importância. O envolvimento de agentes distribuídos internacionalmente reforça a necessidade de cooperação entre órgãos de investigação.
A parceria com o FBI contribuiu para o mapeamento de serviços hospedados no exterior e para o cruzamento de indícios sobre pagamentos, usuários e vínculos operacionais. O rastreamento financeiro é uma das etapas utilizadas para identificar os responsáveis.
A operação também inclui ações de caráter preventivo para mitigar riscos e orientar entidades públicas e privadas a reforçar estruturas de proteção digital, dado o uso crescente de ataques automatizados e sistemas de aluguel de ofensivas.
Desenvolvimento da investigação
A investigação prossegue sob sigilo, com análise de materiais apreendidos nos mandados. As informações coletadas poderão levar à identificação de novos envolvidos e ao desmonte completo da rede responsável pelos serviços clandestinos.
Os suspeitos detidos serão ouvidos e podem responder por crimes relacionados a invasão de dispositivos informáticos, associação criminosa, lavagem de dinheiro e outros delitos correlacionados à infraestrutura de ataques digitais.
*Com informações da Agência Brasil.








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