Argentina reduz inflação de 211% para 31% em dois anos, mas população sofre perda de poder de compra

A Argentina registrou uma redução da inflação de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, mas o aumento de preços voltou a subir em 2025, especialmente em maio. O presidente Javier Milei projeta índice mensal abaixo de 1% a partir de agosto, embora economistas questionem a meta. Apesar da trajetória de queda, a população acumula perdas de poder aquisitivo desde o início do governo, em 10 de dezembro de 2023.

A carioca Catherine Leão, residente na Argentina há sete anos, relatou dificuldades em manter alimentação adequada devido aos preços elevados. Segundo ela, alimentos básicos como café, pães e laticínios tornaram-se inacessíveis, impactando o consumo diário e a qualidade nutricional.

Em 2025, os setores que registraram maiores altas foram restaurantes e hotéis (42,2%), moradia e serviços públicos (41,6%) e alimentos e bebidas (32,2%), incluindo a carne argentina, que subiu 65,3% em média, segundo o INDEC.

Impacto sobre salários e poder de compra

O estudo do Instituto Argentino de Análise Fiscal (IARAF) indicou que aposentados, trabalhadores privados e funcionários públicos acumularam perdas salariais significativas. A classe média foi a mais afetada, com trabalhadores privados perdendo em média 1,5% de poder de compra, aposentados mínimos 13,8% e aposentados acima da mínima 9,3%.

Os funcionários públicos provinciais sofreram redução salarial de 11%, enquanto os funcionários públicos nacionais tiveram perdas de 33%, refletindo o impacto da política econômica adotada nos primeiros dois anos do governo Milei.

Mesmo a classe baixa dependente de subsídio universal por filho apresentou ganho de 67%, embora parte tenha sido diluída pelo aumento de tarifas de serviços públicos, transporte e cortes em refeitórios populares.

Inflação histórica e comparativo internacional

A inflação de 31,5% de 2025 é a mais baixa na Argentina nos últimos oito anos, após recordes históricos: 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024. Ainda assim, o país permanece com a sexta inflação mais alta do mundo, à frente apenas de Venezuela (269,9%), Sudão do Sul (97,5%), Zimbábue (89%), Sudão (87,2%) e Irã (42,4%).

No período entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, a inflação acumulada atingiu 259,34%, demonstrando que, apesar da desaceleração, o impacto nos preços permanece significativo.

O economista Gustavo Pérego, da consultoria Abeceb, explica que o governo comemora o índice de 31% por representar redução da inércia inflacionária, embora os números ainda estejam acima da média internacional.

Perspectivas para 2026 e meta de Milei

Nos últimos meses de 2025, a inflação mensal variou entre 1,5% em maio e 2,8% em dezembro, mantendo tendência de alta gradual. O governo projeta inflação anual de 10,1% para 2026, enquanto o mercado financeiro prevê 22,5%, de acordo com pesquisa do Banco Central da Argentina.

O presidente Milei estabelece o controle da inflação como principal bandeira política para a reeleição em 2027, prometendo reduzir o índice mensal para menos de 1% a partir de agosto de 2026. Para especialistas, é viável atingir 10% a 20% anual, representando redução significativa em relação aos anos anteriores, mas mantendo desafios para o poder de compra da população.

*Com informações da RFI.


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