Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: Secretário-geral da ONU alerta para avanço da negação e do antissemitismo

Nesta terça-feira (27/01/2026), o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto foi assinalado com um alerta do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para o avanço da negação e da distorção histórica do genocídio perpetrado pelo regime nazista. A data recorda a libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, em 1945, e mobiliza eventos na sede da ONU, em Nova Iorque, e em escritórios da organização em todo o mundo.

Instituída pela Assembleia Geral da ONU em 2005, a efeméride promove memória, educação e prevenção, reunindo autoridades, diplomatas e representantes da sociedade civil em atividades voltadas à preservação dos fatos históricos e ao enfrentamento do ódio.

Na mensagem oficial, Guterres afirmou que o dia é dedicado a honrar as vítimas com reflexão e determinação, ressaltando que o Holocausto resultou no assassinato de seis milhões de judeus, além de povos Roma e Sinti, pessoas com deficiência e outros grupos perseguidos.

Mensagem do secretário-geral

O secretário-geral destacou a dimensão humana de cada vida perdida, lembrando que cada vítima tinha um nome, sonhos e direitos que foram sistematicamente negados e destruídos. Segundo Guterres, o Holocausto não foi um acontecimento inevitável, uma vez que as intenções dos seus arquitetos eram conhecidas.

Ele frisou que o ódio e a violência se desenvolveram à vista de todos, o que reforça a responsabilidade coletiva na prevenção de crimes semelhantes no presente e no futuro.

Apesar dos fatos históricos consolidados, Guterres alertou para o crescimento contemporâneo de forças de distorção e negação, que fragilizam a memória histórica e comprometem a prevenção de novas atrocidades.

Retórica desumanizadora e riscos atuais

O secretário-geral advertiu que antissemitismo, intolerância, racismo e discriminação continuam a ser alimentados por retórica desumanizadora e indiferença, criando ambientes propícios à violação de direitos humanos.

Segundo ele, tomar posição clara é essencial para homenagear as vítimas do passado e evitar novas tragédias, o que implica renunciar ao ódio e à injustiça onde quer que surjam.

O alerta reforça a importância de educação histórica, combate à desinformação e defesa ativa dos direitos humanos como instrumentos centrais para conter discursos que normalizam a violência.

Um dia enraizado na história das Nações Unidas

A criação do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto está diretamente ligada à fundação das Nações Unidas, estabelecidas após os horrores da Segunda Guerra Mundial e do genocídio nazista.

O Holocausto teve impacto decisivo no desenvolvimento do Direito Internacional, culminando, em 1948, na adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

A resolução da Assembleia Geral que instituiu a data também criou o Programa de Divulgação “O Holocausto e as Nações Unidas”, com foco em educação, memória e prevenção de atrocidades.

Um alerta permanente contra o ódio e a negação

A data funciona como um lembrete global dos perigos do preconceito, da intolerância e do antissemitismo, incentivando recordação, reflexão e ação contínua por parte da comunidade internacional.

As comemorações incluem cerimônias solenes e iniciativas educativas que recordam as vítimas e reforçam os valores da dignidade humana, da igualdade e do respeito aos direitos fundamentais.

Ao defender os princípios centrais da ONU, Guterres reiterou que honrar a memória das vítimas do Holocausto exige a reafirmação da humanidade compartilhada, a proteção da dignidade humana e a defesa dos valores que unem a comunidade internacional.

*Com informações da ONU News.


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