Falha em foguete indiano interrompe missão com cinco satélites brasileiros e equipamento de observação da Terra

O lançamento do foguete PSLV-C62, que transportava 15 equipamentos, entre eles cinco satélites brasileiros e o satélite indiano de observação da Terra EOS-N1, apresentou falha e resultou na perda do veículo, informou a Agência Espacial Indiana (Isro). A ocorrência foi registrada na segunda-feira (12/01/2026), durante missão realizada a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, na Índia.

Pouco mais de seis minutos após a decolagem, foi identificada uma anomalia no terceiro dos quatro estágios do foguete, provocando alteração na trajetória e comprometendo a missão. Até o fechamento desta matéria, a Isro não havia informado o local da queda do foguete.

O episódio afetou diretamente projetos do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) 2022–2031, coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), que prevê o incentivo ao desenvolvimento de nanossatélites acadêmicos com aplicações científicas e sociais.

Detalhes do lançamento e falha identificada

O lançamento ocorreu às 10h17, no horário local da Índia, o equivalente a 1h48, no horário de Brasília, a partir da ilha de Sriharikota. O foguete PSLV-C62 realizava seu 64º voo e seguia trajetória nominal até a detecção da falha no estágio PS3.

Em comunicado divulgado nas redes oficiais, a Isro informou que a missão detectou uma anomalia no final do terceiro estágio e que uma análise técnica detalhada foi iniciada para identificar as causas do problema.

O foguete transportava, além do EOS-N1, cinco nanossatélites brasileiros, desenvolvidos por instituições de ensino e pesquisa, com apoio da AEB.

Satélite Aldebaran-I e participação brasileira

Entre os equipamentos brasileiros estava o nanossatélite Aldebaran-I, desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com apoio institucional e financeiro da Agência Espacial Brasileira. O projeto teve início há cerca de cinco anos e consistia em um protótipo tecnológico.

O Aldebaran-I é classificado como um cubesat padrão 1U, com formato cúbico e 10 centímetros de lado, utilizado como prova de conceito para validação de novas tecnologias espaciais. O nome faz referência à estrela mais brilhante da constelação de Touro, cujo significado em árabe é “seguidor”.

O equipamento tinha como finalidade contribuir para a localização de queimadas e apoiar missões de busca e resgate de pequenas embarcações pesqueiras em dificuldades no litoral brasileiro.

Outros satélites brasileiros a bordo

Além do Aldebaran-I, a missão transportava os nanossatélites Orbital Temple, EduSat-1, Galaxy Explorer e UaiSat, todos integrantes do Pnae 2022–2031. Os projetos têm como foco o desenvolvimento científico, a formação acadêmica e a aplicação de tecnologias espaciais de baixo custo.

Segundo a AEB, o programa busca ampliar a participação de universidades e centros de pesquisa brasileiros no setor espacial, estimulando soluções com impacto social, inovação tecnológica e capacitação de recursos humanos.

A perda do lançamento representa um revés operacional, mas não interrompe as diretrizes do programa, que prevê novas oportunidades de missões e validação de tecnologias em lançamentos futuros.

*Com informações da Agência Brasil.


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