A Feira do Livro Usado teve início em Feira de Santana, na segunda-feira (05/01/2026), com a instalação das primeiras bancas no estacionamento da Prefeitura, local onde o evento é realizado há mais de duas décadas. A edição de 2026 segue em funcionamento até o início de março e se mantém como alternativa para reduzir os custos com livros didáticos e paradidáticos no período de volta às aulas.
Mesmo diante da ampliação de plataformas digitais, grupos de venda on-line e novas dinâmicas no mercado editorial, os expositores apostam em um fluxo consistente de consumidores. A expectativa é impulsionada, principalmente, pela presença de compradores de municípios vizinhos, que tradicionalmente recorrem à feira em busca de títulos específicos adotados por escolas da região.
Segundo os vendedores, o evento combina otimismo com cautela, em razão das mudanças no comportamento de consumo e da redução gradual da adoção de livros físicos por parte de algumas instituições de ensino. Ainda assim, a feira segue sendo apontada como ponto de referência para quem busca variedade e preços acessíveis.
Tradição regional e impacto na economia familiar
Entre os expositores está Resênio Almeida, que participa da feira desde a primeira edição. Para ele, a permanência do evento se deve à continuidade da adoção de livros por escolas de diferentes cidades.
“Muitas escolas da região continuam trabalhando com livros, e essas famílias vêm à feira porque sabem que aqui encontrarão o que procuram”, afirmou.
Os descontos praticados chegam a até 70% em relação aos valores do mercado formal, fator que atrai anualmente milhares de pais e responsáveis por estudantes. A diferença de preço é considerada decisiva para o orçamento familiar, especialmente no início do ano letivo, quando há maior concentração de despesas educacionais.
O organizador da feira, Glauber Cunha, avalia que, apesar da concorrência crescente, o evento mantém relevância.
“Continuamos sendo uma excelente opção de compras”, declarou, ao destacar a consolidação da feira como espaço de compra, venda e troca de livros usados.
Mudanças no mercado e novos desafios para os livreiros
Os expositores também observam que decisões de colégios em não adotar livros físicos vêm reduzindo gradualmente o fluxo de visitantes. Em Feira de Santana, segundo os vendedores, apenas quatro grandes colégios mantêm listas regulares de livros didáticos, cenário que impacta diretamente o volume de vendas.
Outro fator apontado é o crescimento das negociações em grupos de WhatsApp, formados por pais e responsáveis, que compram e vendem livros diretamente, reduzindo a intermediação dos livreiros. Esse modelo, aliado ao comércio on-line, tem tornado as listas escolares menos onerosas, mas também mais descentralizadas.
Além disso, a adoção progressiva de módulos pedagógicos, renovados anualmente e comercializados pelas próprias escolas, substitui parte dos livros tradicionais e limita a reutilização do material, o que representa um novo desafio para a sustentabilidade das feiras de livros usados.
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