O projeto Férias na Escola, desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), segue movimentando colégios da rede estadual durante o recesso escolar, com a oferta de oficinas de arte, empreendedorismo, tecnologia, comunicação e práticas esportivas, além da garantia de alimentação para estudantes e integrantes da comunidade. A iniciativa permanece ativa até o final de janeiro de 2026, ampliando o acesso à aprendizagem fora do calendário letivo regular.
No bairro de Arenoso, em Salvador, o Colégio Estadual Clarice Santiago tornou-se ponto de encontro diário para a estudante Evelyn Cruz, de 16 anos, e seus familiares. A aluna, que iniciará o segundo ano do ensino médio em fevereiro, participa da Oficina de Customização de Abadás, conduzida pelo estilista baiano Rey Vilas Boas, atividade que integra o conjunto de ações do programa.
A rotina da família até a unidade escolar reflete o caráter comunitário da proposta. As oficinas são abertas não apenas aos estudantes, mas também a pais, mães e moradores do entorno, fortalecendo a relação entre escola e território.
Aprendizado intergeracional e geração de renda
A participação de adultos nas atividades tem ampliado o alcance social do projeto. Rose Cruz, mãe de Evelyn, relata que já possuía conhecimentos básicos de costura aprendidos na infância, mas que a oficina proporcionou contato com novas técnicas de corte, costura, modelagem e customização voltadas para o Carnaval.
Segundo Rose, a experiência contribui para o desenvolvimento de habilidades que podem ser aplicadas profissionalmente. A formação oferecida durante o recesso escolar amplia perspectivas de geração de renda e estimula a autonomia produtiva dos participantes.
A estudante também ressalta o impacto do conteúdo apresentado. Para Evelyn, o aprendizado vai além da prática manual, incorporando noções de empreendedorismo, sustentabilidade e reaproveitamento de materiais, aspectos centrais da proposta pedagógica da oficina.
Sustentabilidade e empreendedorismo na formação dos estudantes
O uso de tecidos que seriam descartados pela indústria é apontado como um dos principais diferenciais das atividades. A abordagem permite discutir moda sustentável, redução de resíduos e responsabilidade ambiental, conectando teoria e prática de forma acessível.
De acordo com a estudante, os conhecimentos adquiridos têm aplicação duradoura e extrapolam o período das férias. A participação conjunta de familiares fortalece o processo de aprendizagem e amplia o interesse pelas oficinas oferecidas.
Além da customização de abadás, o colégio disponibiliza oficinas de Estamparia, Percussão e Captação e Edição de Vídeos com celular, ampliando o leque de linguagens e competências trabalhadas ao longo do projeto.
Formação em audiovisual e educação midiática
A oficina voltada ao audiovisual é conduzida pela atriz Ingrid Lago, que ministra aulas teóricas e práticas. Os participantes aprendem a roteirizar, filmar e editar vídeos, utilizando o celular como principal ferramenta de produção.
Durante o curso, os alunos realizam registros das próprias oficinas, que serão organizados em um material final ao término das atividades. A iniciativa contempla tanto estudantes já inseridos em processos de educação midiática quanto adultos interessados em desenvolver habilidades digitais.
Segundo a mentora, a proposta busca fortalecer a Agência de Notícias da escola, ao mesmo tempo em que capacita a comunidade para o uso responsável das mídias, considerando o viés do empreendedorismo e da comunicação social.
Escolas abertas e segurança alimentar durante as férias
De acordo com o chefe de gabinete da SEC, Manoel Calazans, o projeto Férias na Escola tem como objetivo transformar os colégios da rede estadual em espaços de cultura, lazer e aprendizagem durante o recesso, além de assegurar segurança alimentar para estudantes que dependem da alimentação escolar.
Segundo ele, todas as unidades participantes permanecem abertas com uma proposta pedagógica diferenciada, baseada em atividades lúdicas e formativas. A Secretaria garante estrutura, materiais de apoio e alimentação de qualidade, reforçando o caráter de acolhimento do programa.
Para a gestão estadual, a iniciativa fortalece o vínculo entre estudantes, escola e comunidade, ampliando o papel social das unidades escolares além do período letivo.
Alcance estadual e atuação de oficineiros
O projeto acontece em 836 unidades escolares, entre sedes e anexos, distribuídas em 366 municípios da Bahia. Ao todo, mais de 3.500 oficineiros atuam na realização das atividades, que abrangem áreas como tecnologia, comunicação, artes e práticas esportivas, incluindo modalidades como a capoeira.
As oficinas são conduzidas por voluntários e mentores vinculados ao Educa Mais Bahia, reforçando a diversidade de saberes e a integração entre políticas educacionais e ações comunitárias.











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