Interpol anuncia mais de 3,7 mil prisões em megaoperação global contra tráfico humano; Brasil desmantela rede transnacional

Na segunda-feira (26/01/2026), a Interpol anunciou a prisão de mais de 3.700 suspeitos durante uma megaoperação internacional de combate ao tráfico de seres humanos e ao tráfico de migrantes. A ação, coordenada pela organização policial internacional, contou com a participação de 119 países, incluindo o Brasil, onde foi desmantelada uma rede transnacional de tráfico de migrantes.

Batizada de Liberterra III, a operação ocorreu entre 10 e 21 de novembro de 2025, com a mobilização de mais de 14 mil agentes de segurança em diferentes continentes. As informações foram divulgadas em comunicado oficial da Interpol, cuja sede está localizada em Lyon, na França.

Prisões, investigações e proteção de vítimas em escala global

De acordo com os relatórios preliminares encaminhados pelos países participantes, 3.744 suspeitos foram detidos, sendo mais de 1.800 prisões diretamente relacionadas ao tráfico de seres humanos e de migrantes. Além disso, 720 novas investigações foram abertas, muitas ainda em andamento.

A operação também resultou na proteção de 4.414 potenciais vítimas de tráfico humano e na identificação de 12.992 migrantes em situação irregular, evidenciando o alcance da ação coordenada entre as forças de segurança.

Rede de tráfico de migrantes é desarticulada no Brasil

No Brasil, as autoridades desmantelaram uma rede transnacional de tráfico de migrantes com conexões criminosas no Paquistão, Afeganistão, México e Estados Unidos. Segundo a Interpol, o principal suspeito foi preso, embora sua identidade não tenha sido divulgada.

Durante a operação, ativos no valor de R$ 5,94 milhões foram congelados, incluindo imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e criptomoedas, como parte das medidas para enfraquecer financeiramente o grupo criminoso.

Operações na América Latina revelam exploração e contrabando humano

O comunicado da Interpol também detalha ações em outros países da América Latina. No Peru, foi desmantelado o grupo criminoso “Los Zorritos del Norte”, suspeito de contrabandear 30 migrantes venezuelanos, entre eles seis menores, para o Chile.

Na Costa Rica, um homem conhecido como “El Gordo” foi preso, acusado de coagir adolescentes de uma escola a gravar vídeos de conteúdo sexual, reforçando a diversidade de crimes associados às redes de tráfico humano.

África e Ásia concentram resgates e desmonte de centros criminosos

Na África, países como Benin, Burkina Faso, Congo, Costa do Marfim, Gana, Senegal e Serra Leoa relataram operações contra redes de tráfico humano estruturadas em esquemas de pirâmide, com o resgate de mais de 200 vítimas e o fechamento de centros de recrutamento e exploração.

Ainda no continente africano, 47 mulheres nigerianas traficadas para o Mali foram identificadas, além do resgate de grandes grupos de migrantes em embarcações precárias, incluindo 245 pessoas que partiram do Senegal.

Na Ásia, foram realizadas operações contra centros suspeitos de golpes, especialmente em Mianmar, onde cerca de 450 trabalhadores foram encontrados em um único complexo. As autoridades apreenderam 18.800 telefones celulares e mais de 300 computadores, além de promoverem a repatriação de centenas de potenciais vítimas, incluindo 125 cidadãos indianos.

Exploração sexual e lavagem de dinheiro na Europa

Na Espanha, uma rede criminosa foi desmantelada por traficar mulheres para exploração sexual em salões de beleza e casas de massagem em Barcelona e Marbella, com a identificação de 21 vítimas, majoritariamente de origem colombiana.

Já no Cazaquistão, autoridades descobriram redes de tráfico disfarçadas como serviços de táxi, que utilizavam violência e intimidação para forçar vítimas à prostituição, além de um esquema de lavagem de dinheiro para aquisição de bens.

No Reino Unido, a polícia da Escócia resgatou uma cidadã romena traficada sob falsas promessas de emprego, que teve seus documentos retidos ao chegar ao porto de Dundee.

Interpol alerta para evolução das redes criminosas

O secretário-geral da Interpol, Valdecy de Urquiza, destacou a cooperação internacional como fator central para o êxito da operação, ao mesmo tempo em que alertou para a adaptação constante das organizações criminosas.

Segundo ele, as redes vêm explorando novas rotas, plataformas digitais e populações vulneráveis, o que exige antecipação de ameaças, identificação de padrões e respostas integradas por parte das forças de segurança.

*Com informações da RFI.


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