A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou, nesta sexta-feira (16/01/2026), da cerimônia de entrega do Troféu Sankofa a mestres e mestras da cultura popular do Recôncavo Baiano, no município de Cachoeira. A premiação integra a programação do 7º Rede Capoeira – Heróis Populares – Edição Especial e promove o reconhecimento institucional de trajetórias ligadas à preservação do patrimônio imaterial brasileiro.
Ao todo, oito representantes da cultura tradicional foram homenageados por suas contribuições à manutenção e transmissão de saberes ancestrais, com destaque para manifestações como capoeira, samba de roda e tradições religiosas afro-brasileiras, expressões historicamente associadas à formação cultural da Bahia e do Brasil.
A escolha do nome Sankofa, símbolo de origem africana que representa o retorno ao passado para fortalecer o presente e construir o futuro, orienta o conceito da premiação. A realização no Recôncavo reforça o papel do território como espaço formador de identidades culturais e guardião de práticas seculares.
Mestres e mestras homenageados pela cultura popular
Foram agraciados com o Troféu Sankofa Mestre Bigo (Capoeira), Mestre Domingo Preto (Samba de Roda), Mestre Aurino (Samba de Roda), Mestre Ecinho (Samba de Roda), Mestra Maninha (Samba de Roda), Mestra Dona Dalva (Samba de Roda), Mestra Dona Rita da Barquinha (Samba de Roda) e Mestra Lindaura, reconhecida como Juíza Perpétua da Boa Morte.
As homenagens reconhecem trajetórias individuais e coletivas que contribuíram para a permanência de práticas culturais transmitidas entre gerações, muitas vezes em contextos de vulnerabilidade social e ausência de políticas públicas continuadas.
O evento reuniu representantes do poder público, lideranças culturais e membros da comunidade local, reforçando a dimensão simbólica do reconhecimento aos chamados heróis e heroínas da cultura popular brasileira.
Cultura ancestral como base da arte contemporânea
Durante a cerimônia, a ministra Margareth Menezes destacou a centralidade dos mestres e mestras na construção da identidade cultural brasileira. Segundo ela, referências oriundas da capoeira, do samba de roda, dos blocos afros, dos ijexás e dos afoxés estruturam a diversidade cultural que sustenta a produção artística contemporânea reconhecida internacionalmente.
A ministra ressaltou que esses saberes não apenas preservam tradições, mas também influenciam linguagens artísticas atuais, fortalecendo a pluralidade cultural do país e ampliando o alcance da cultura brasileira no cenário global.
A presença do Ministério da Cultura na premiação reforça a diretriz de valorização das culturas de matriz africana e de reconhecimento dos territórios como protagonistas na preservação do patrimônio imaterial.
Rede Capoeira e o reconhecimento de trajetórias históricas
Idealizador da Rede Capoeira, Mestre Sabiá destacou que o projeto passou a aprofundar o olhar sobre as histórias dos mestres a partir da quinta edição do evento. Segundo ele, a iniciativa identificou padrões recorrentes de dificuldades, invisibilidade institucional e promessas não cumpridas, mesmo diante da relevância simbólica dessas lideranças culturais.
Para o idealizador, a cultura de matriz africana representa um legado estruturante da identidade nacional. Ele afirmou que não é possível compreender o Brasil sem reconhecer a contribuição da capoeira, do samba, do maculelê e de outras manifestações tradicionais que se fortaleceram na Bahia e se projetaram internacionalmente.
A premiação, nesse contexto, busca atuar como instrumento de reparação simbólica e valorização pública dessas trajetórias.
Cachoeira e a força da cultura do Recôncavo
A prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga, ressaltou o papel da cultura como elemento de resistência e pertencimento. Para ela, práticas como a capoeira mantêm sua vitalidade ao promover encontros coletivos que renovam laços comunitários e fortalecem identidades locais.
A gestora destacou a importância de reconhecer a cultura do Recôncavo como parte fundamental da história brasileira, enfatizando a contribuição do município de Cachoeira para a preservação de tradições que seguem ativas no cotidiano da população.
O evento reforçou o posicionamento do município como referência na promoção e valorização do patrimônio cultural imaterial.
Funarte e novas políticas de fomento cultural
Presente na solenidade, a presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Fernandes Marighella, destacou a cultura como elemento central na constituição do país. Segundo ela, tradições forjadas às margens do Rio Paraguaçu compõem um patrimônio simbólico que sustenta a diversidade cultural brasileira.
Maria Marighella celebrou ainda o edital da Funarte que concedeu a Dona Dalva o título de Mestra das Artes, iniciativa que inaugura uma nova política de fomento baseada no reconhecimento de trajetórias, e não apenas de projetos específicos.
De acordo com a presidenta, o modelo valoriza o papel das comunidades no reconhecimento de seus mestres e mestras, consolidando o entendimento dessas trajetórias como patrimônios vivos da cultura brasileira.











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