Museu do Recôncavo Wanderley Pinho recebe mais de 5 mil visitantes no primeiro mês após reabertura em Candeias

O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho recebeu mais de cinco mil visitantes nos primeiros 30 dias após a reabertura, realizada em 8 de dezembro de 2025, no distrito de Caboto, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. O número marca o retorno do equipamento cultural ao circuito de visitação da Bahia e indica amplo interesse do público pela nova proposta museológica, instalada no histórico Engenho Freguesia.

Localizado em um casarão do século XVIII, tombado como patrimônio nacional, o museu integra um dos mais relevantes conjuntos arquitetônicos do período colonial baiano. O acervo reúne mobiliário, indumentárias, obras de arte, documentos e objetos históricos, que contribuem para a compreensão da formação do Recôncavo Baiano e de sua relevância para a história do Brasil.

Com a reabertura, o espaço passou a apresentar o acervo por meio de uma narrativa ampliada e crítica, que revisita o período colonial a partir de diferentes perspectivas, incluindo as experiências dos povos originários e das populações negras, além de abordar o trabalho escravizado e seus impactos estruturais na região.

Nova proposta museológica e leitura crítica da história

A diretora do Museu, Daniela Steele, responsável pela nova expografia e coordenação do espaço, avalia que o balanço do primeiro mês confirma a relevância do equipamento cultural. Segundo ela, a resposta do público demonstra interesse em revisitar o patrimônio histórico sob novas abordagens, ampliando o papel do museu como espaço de reflexão e aprendizado.

A estimativa de visitantes é baseada nos registros dos livros de presença, considerando que parte do público não realiza o cadastro formal. Mesmo assim, os dados indicam circulação contínua desde as primeiras semanas, consolidando o retorno do museu à agenda cultural do Recôncavo Baiano.

O perfil do público inclui estudantes, pesquisadores, turistas e moradores da região, que percorrem as áreas expositivas, a capela e o conjunto histórico. A presença constante reforça a reocupação do espaço como local de fruição cultural e debate histórico.

Perfil dos visitantes e alcance nacional e internacional

A maior parte dos visitantes registrados é oriunda da Bahia, especialmente de municípios como Salvador, Candeias, Camaçari, Lauro de Freitas e Simões Filho. O museu também recebeu visitantes de outros estados brasileiros e de países como França, Estados Unidos, Portugal, Reino Unido e Canadá, ampliando seu alcance para além do território estadual.

Entre os visitantes esteve o artista Vik Muniz, que conheceu o espaço acompanhado de familiares e amigos. A presença de público diverso reforça o papel do museu como referência cultural e histórica do Recôncavo Baiano.

Mais do que um indicador quantitativo, o primeiro mês após a reabertura evidencia a retomada do museu como espaço ativo, integrado ao cotidiano cultural da região e ao fluxo turístico da Bahia.

Núcleos expositivos e organização do acervo

O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho é composto por cinco núcleos expositivos, além da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Freguesia, dedicada à arte sacra, e do andar térreo, destinado a exposições temporárias de longa duração, como Encruzilhada, atualmente em cartaz.

O Núcleo Histórico apresenta uma linha do tempo que revisita os principais marcos do Engenho Freguesia e a trajetória institucional do museu. No Núcleo dos Povos Originários, o público encontra fotografias, vídeo documentário e intervenção artística em grafismo, assinada pelo artista indígena Thiago Tupinambá.

O Núcleo dos Povos Escravizados reúne manuscritos do poema “Os Escravos”, de Castro Alves, digitalizados a partir do original preservado no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), além de documentos históricos e totens de acesso à plataforma Slave Voyages, banco de dados internacional sobre o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.

O Núcleo Doméstico expõe mobiliário, retratos, pinturas, desenhos e uma cozinha de época, evidenciando o trabalho das mulheres escravizadas e suas formas de resistência. Já o Núcleo da Memória abriga objetos de suplício na Sala do Silêncio e a mostra colaborativa Fragmentos do Passado, construída com a participação dos trabalhadores do museu a partir de materiais encontrados durante as obras de restauro.


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