A Neoenergia Coelba identificou e removeu cerca de 130 mil ligações irregulares de energia elétrica em toda a Bahia ao longo de 2025, segundo balanço divulgado. O número representa um crescimento de 17% em relação a 2024 e configura o maior volume já registrado pela distribuidora no estado. As operações resultaram na recuperação de 476 milhões de quilowatts-hora (kWh).
O volume de energia recuperado é suficiente para abastecer aproximadamente 3,8 milhões de residências por um mês ou todo o município de Salvador por cerca de 45 dias, considerando o consumo médio residencial. A empresa afirma que os resultados estão associados à modernização dos processos de fiscalização e análise de dados.
Mesmo com redução no número total de inspeções em campo em comparação ao ano anterior, a concessionária registrou maior índice de fraudes identificadas, indicando aumento da assertividade nas ações de combate às irregularidades.
Investimentos em tecnologia e fiscalização direcionada
Para alcançar os resultados, a Neoenergia Coelba intensificou o uso de ferramentas tecnológicas e sistemas analíticos, capazes de cruzar dados de consumo e identificar padrões suspeitos com maior precisão. Segundo a empresa, a estratégia permitiu direcionar as equipes para locais com maior probabilidade de irregularidades.
Em 2025, a distribuidora também ampliou o uso de drones, utilizados para mapear áreas de difícil acesso e detectar ligações clandestinas em redes aéreas e estruturas ocultas. A tecnologia reduziu o tempo de inspeção e aumentou a eficiência operacional.
De acordo com a gerente de Gestão da Receita da Neoenergia Coelba, Narah Rank, as ações impactam diretamente a qualidade do serviço.
“O combate ao furto de energia assegura um fornecimento mais seguro e confiável aos consumidores regulares e garante que os impostos arrecadados retornem à sociedade na forma de investimentos no estado”, afirmou.
Municípios com maior número de irregularidades removidas
Os municípios que registraram maior volume de ligações irregulares removidas em 2025 foram Salvador (15,8 mil), Feira de Santana (10,8 mil), Camaçari (5,2 mil), Juazeiro (4,3 mil) e Lauro de Freitas (3,6 mil). A concentração reflete tanto o porte populacional quanto a complexidade das redes urbanas.
No recorte por volume de energia recuperada, os destaques foram Cocos (47 GWh), Barreiras (46 GWh), Juazeiro (31 GWh), Jaborandi (26 GWh) e Salvador (14 GWh). A distribuidora explica que áreas com atividades produtivas intensivas podem apresentar menor número de ligações, mas maior impacto energético.
A empresa reforça que os dados orientam novas ações preventivas, com foco em regiões de maior reincidência e perdas não técnicas elevadas.
Riscos, impactos no sistema elétrico e enquadramento legal
As ligações clandestinas de energia representam risco à segurança da população, pois costumam ser executadas por pessoas sem qualificação técnica e fora das normas de segurança elétrica. Essas práticas aumentam a probabilidade de acidentes, incêndios e interrupções no fornecimento.
Do ponto de vista operacional, o furto de energia provoca sobrecarga não dimensionada na rede, comprometendo a estabilidade do sistema e afetando consumidores regulares. A distribuidora afirma que as irregularidades também elevam custos operacionais e reduzem a capacidade de investimento em expansão e manutenção.
O furto de energia é crime previsto no artigo 155 do Código Penal Brasileiro, com pena que pode chegar a oito anos de reclusão. Os responsáveis por unidades flagradas com irregularidades podem responder a inquéritos policiais, conforme a legislação vigente.











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