No domingo (25/01/2026), a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que chegou o momento de interromper a influência de Washington sobre a política venezuelana. A declaração foi feita durante discurso no estado de Anzoátegui, no leste do país, no qual a dirigente destacou que as divergências internas devem ser resolvidas exclusivamente pelos venezuelanos, sem interferência externa.
Rodríguez declarou que o país pagou um custo elevado ao enfrentar os efeitos do extremismo político, em referência ao período recente de instabilidade institucional. As manifestações ocorreram após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por autoridades dos Estados Unidos, fato que ampliou tensões diplomáticas e políticas.
A presidente interina assumiu o comando do país de forma temporária e passou a conduzir negociações sob pressão do governo norte-americano, que mantém diálogos envolvendo acordos energéticos e a libertação de presos por motivações políticas.
Libertação de presos políticos e divergência de números
No mesmo domingo (26/01/2026), mais de 100 presos políticos foram libertados, segundo dados divulgados por organizações de monitoramento. No entanto, há divergência entre os números oficiais e os registros independentes sobre o total de excarcerados desde dezembro.
Enquanto o governo venezuelano afirma que 626 pessoas foram libertadas, organizações da sociedade civil contabilizam 375 excarcerados no mesmo período. A presidente interina informou que pretende submeter os dados à verificação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Relatos apontam que familiares de detentos permaneceram por horas em frente a unidades prisionais aguardando informações sobre a liberação de seus parentes, evidenciando a complexidade do processo e a expectativa social gerada pelas medidas anunciadas.
Apelo ao diálogo político e contexto de repressão
Durante discurso no estado de La Guaira, Rodríguez fez um apelo público ao diálogo com setores da oposição, afirmando que não deve haver diferenças políticas quando o objetivo é a paz nacional. Segundo ela, o país precisa buscar consensos a partir das divergências existentes.
A Venezuela permanece sob controle estatal rigoroso, após protestos relacionados à reeleição contestada de Nicolás Maduro em 2024, que resultaram na prisão de mais de 2.000 pessoas em um intervalo de 48 horas. O país também vive sob um estado de exceção, que prevê sanções penais para quem apoiar ações militares estrangeiras.
Entre os recentes libertados estão Rafael Tudares, Enrique Márquez, Rocío San Miguel e Roland Carreño. Por outro lado, opositores seguem detidos, incluindo Juan Pablo Guanipa, Javier Tarazona e Freddy Superlano, todos envolvidos em investigações relacionadas a crimes políticos.
Relações com os Estados Unidos e cenário pós-Maduro
Paralelamente às mudanças internas, os Estados Unidos mantêm atuação direta sobre aspectos estratégicos da Venezuela, incluindo controle das vendas de petróleo e discussões sobre a reabertura gradual da embaixada em Caracas. Recentemente, Washington nomeou uma nova chefe para sua missão diplomática no país.
O cenário evidencia um período de transição política, marcado por negociações internacionais, disputas de narrativa sobre direitos humanos e tentativas de reconfiguração do diálogo interno, sob forte atenção da comunidade internacional.
*Com informações da RFI.











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