Representantes dos trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial se reuniram, em Brasília, com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para solicitar intervenção do governo federal diante da crise financeira enfrentada pela empresa há mais de três anos.
A Avibras, considerada uma das principais empresas da indústria de defesa do Brasil, acumula atrasos salariais, verbas rescisórias e outros direitos trabalhistas desde 2022, afetando mais de 900 funcionários. Segundo o sindicato, a situação compromete tanto a subsistência dos trabalhadores quanto a manutenção de tecnologias estratégicas para o país.
A reunião ocorreu na sede do ministério e contou com a participação de dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que defendem uma atuação direta do Estado para evitar o colapso definitivo da companhia.
Pedido de apoio governamental e propostas apresentadas
De acordo com o sindicato, o encontro teve como foco pressionar o governo federal a adotar medidas concretas para viabilizar a retomada das operações da Avibras. Entre as propostas apresentadas está a aquisição, pelo governo, de equipamentos produzidos pela empresa para as Forças Armadas.
Os produtos citados incluem sistemas de artilharia, veículos blindados, mísseis, foguetes e veículos aéreos não tripulados (VANTs), que integram o portfólio histórico da companhia. Para os representantes dos trabalhadores, a compra institucional seria um mecanismo para injetar recursos imediatos e preservar capacidades industriais estratégicas.
O presidente do sindicato, Weller Gonçalves, afirmou que o investimento público é essencial para garantir o retorno das atividades produtivas e a regularização das pendências trabalhistas acumuladas ao longo do período de crise.
Salários atrasados e negociações com a empresa
Os salários e verbas rescisórias dos funcionários estão atrasados há pelo menos 34 meses, segundo o sindicato. A entidade informou que voltou a negociar com a empresa na última semana e que uma nova reunião com a direção da Avibras está prevista para a quarta-feira (28/01/2026).
Durante as tratativas, a administração da empresa indicou a intenção de retomar parcialmente as atividades, inicialmente com 210 trabalhadores. A projeção apresentada prevê que, até a metade de 2026, o número de empregados possa chegar a 450, caso haja avanço nas negociações e apoio financeiro.
Para o sindicato, no entanto, a retomada depende de garantias efetivas de investimento e de um plano claro para a quitação dos débitos trabalhistas acumulados desde o início da crise.
Impactos da crise e expectativa dos trabalhadores
A crise prolongada da Avibras é vista pelos trabalhadores como um risco não apenas social, mas também industrial e estratégico, diante do papel da empresa no setor de defesa nacional. A paralisação das atividades compromete cadeias produtivas e o desenvolvimento tecnológico associado à indústria bélica.
Representantes sindicais destacam que, após mais de três anos de impasses, há expectativa de que o governo federal assuma um papel mais ativo na solução do problema. Segundo a entidade, iniciativas anteriores não resultaram em medidas concretas capazes de reverter o cenário.
O sindicato afirma que seguirá acompanhando as negociações e cobrando do governo uma definição sobre investimentos e políticas públicas voltadas à preservação da empresa e dos postos de trabalho.
*Com informações da Sputnik News.











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