A ONU Turismo divulgou que o turismo internacional bateu recorde em 2025, com aproximadamente 1,52 bilhão de viajantes, um aumento de 4% em relação a 2024. O crescimento ocorre apesar de tensões geopolíticas e alta inflação nos serviços turísticos, indicando resiliência do setor. A receita global alcançou 1,9 trilhão de dólares, impulsionada pelo desempenho positivo na África (+8%), Ásia-Pacífico (+6%) e no Brasil (+37%).
A secretária-geral da ONU Turismo, Shaikha Alnowais, ressaltou que a demanda se manteve estável e que a tendência deve prosseguir em 2026, à medida que a economia global permanece equilibrada e destinos ainda abaixo dos níveis pré-pandemia se recuperam. O aumento global evidencia a importância da mobilidade internacional para a economia do setor.
O crescimento global, segundo a agência, ocorreu em contextos distintos por continente, destacando-se América do Sul, Europa e África, enquanto os Estados Unidos registraram desempenho abaixo do esperado, afetando a média de crescimento das Américas.
América do Sul em destaque
A América do Sul registrou aumento de 7% nas chegadas internacionais, atingindo 39,2 milhões de turistas, com destaque para o Brasil, que recebeu 9,3 milhões de visitantes internacionais, crescimento de 37,1% em relação a 2024. O país consolida-se como destino competitivo no cenário global, conforme afirmou o ministro do Turismo brasileiro, Gustavo Feliciano.
Outros destinos da região também apresentaram resultados positivos: América Central com 13,5 milhões de chegadas (+5%), incluindo Guiana (+24%), Guatemala (+8%), Honduras e El Salvador (+7% cada). Apesar do impacto do furacão Melissa, o México manteve crescimento de 6%.
A região sul-americana contribuiu significativamente para o desempenho global do setor, reforçando o papel estratégico da América do Sul no turismo internacional e evidenciando o crescimento de destinos fora dos circuitos europeus tradicionais.
Europa e África mantêm liderança
A Europa continua como o continente mais visitado, com 793 milhões de chegadas, enquanto a Espanha registrou 97 milhões de turistas, aumento de 7% em relação a 2024. O Marrocos, principal destino da África, recebeu quase 20 milhões de visitantes, crescimento de 14%, consolidando o continente africano como área de expansão do setor.
O crescimento europeu e africano é acompanhado de desafios estruturais, incluindo eventos climáticos, ondas de calor, estresse hídrico e aumento da concentração de visitantes em destinos limitados, gerando congestionamento e aumento de preços nas acomodações.
A manutenção da liderança europeia evidencia o equilíbrio entre capacidade de infraestrutura turística e oferta de serviços, enquanto regiões em expansão, como África e América do Sul, mostram potencial de crescimento sustentável do setor.
Estados Unidos e riscos geopolíticos
Nas Américas, o crescimento das chegadas internacionais foi de apenas 1%, influenciado por resultados fracos nos Estados Unidos, onde políticas de vistos restritivas limitam o fluxo de turistas.
Conflitos globais, tensões geopolíticas e eventos climáticos continuam a representar riscos significativos ao turismo, dado que a mobilidade internacional depende da estabilidade política, econômica e ambiental.
Especialistas ressaltam que a vulnerabilidade do setor exige estratégias de gestão de risco, adaptação à variabilidade climática e políticas de incentivo consistentes para manter o crescimento.
Impactos sociais e econômicos do aumento de visitantes
O aumento do fluxo turístico tem gerado pressão sobre a população local, principalmente em destinos altamente concentrados, provocando congestionamentos e elevação de preços de acomodações.
A concentração de visitantes reforça a necessidade de planejamento urbano e turístico, ajuste nos calendários e infraestrutura, além de políticas de gestão de preços e oferta de serviços para minimizar impactos socioeconômicos.
O crescimento global de turismo também fortalece receita local e internacional, emprego no setor e desenvolvimento de serviços complementares, mostrando que o turismo continua como componente relevante da economia mundial.
*Com informações da RFI.











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