Venezuela amplia foco além do petróleo e aposta em recursos minerais para atrair investimentos estrangeiros

A Venezuela possui ampla diversidade de recursos naturais, que vai além das reservas de petróleo e inclui ouro, ferro, terras raras e minerais estratégicos, capazes de atrair investimentos estrangeiros no médio e longo prazo. A avaliação foi apresentada por analistas venezuelanos ao analisar o cenário econômico e geopolítico do país.

Segundo especialistas, embora o petróleo continue sendo o principal ativo de interesse internacional, o subsolo venezuelano abriga reservas relevantes para cadeias produtivas globais, especialmente nos setores de energia, tecnologia e indústria de alta precisão. O potencial, no entanto, enfrenta entraves ligados à infraestrutura, métodos de extração e governança do setor mineral.

O debate ocorre em um contexto de reconfiguração das relações internacionais da Venezuela, com sinalizações de maior diálogo com países europeus e expectativas de diversificação da economia nacional.

Ouro e o Arco Mineiro do Orinoco

De acordo com o economista venezuelano Manuel Sutherland, professor da Universidade Central da Venezuela, o país possui aproximadamente 3.000 toneladas de reservas de ouro. A exploração, contudo, ocorre de forma desorganizada, com impactos ambientais e atuação de grupos criminosos em áreas de mineração.

Um dos principais polos é o Arco Mineiro do Orinoco, localizado no estado de Bolívar, no sudeste do país. A região concentra não apenas ouro, mas também diamantes, quartzo, coltan, ferro e bauxita, sendo considerada um dos depósitos minerais mais relevantes da América do Sul.

Segundo o analista, a ausência de um modelo estruturado de mineração dificulta o aproveitamento econômico sustentável desses recursos e afasta investimentos de maior escala.

Terras raras e minerais estratégicos

Além dos metais tradicionais, a Venezuela também apresenta concentrações significativas de terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica e energética. Entre os minerais identificados estão níquel e cobalto, utilizados na produção de baterias de lítio, além de neodímio e praseodímio, empregados em ímãs de alta potência.

Há ainda reservas de lantânio, aplicado em lentes e baterias de equipamentos de precisão, ítrio, utilizado em supercondutores e tecnologia a laser, e tório, apontado como possível combustível nuclear do futuro. O coltan, conhecido como “ouro azul”, também está presente e é essencial para a fabricação de dispositivos eletrônicos e equipamentos aeroespaciais.

Sutherland ressalta que a exploração desses minerais exige processos tecnológicos específicos, enquanto os métodos atuais ainda são majoritariamente artesanais, o que reduz o valor agregado do material extraído.

Ferro e limitações de infraestrutura

Outro recurso abundante é o ferro, com estimativas de cerca de 45 bilhões de toneladas concentradas no leste da Venezuela. Apesar do volume expressivo, empresas do setor enfrentam dificuldades operacionais, encerramento de atividades e prejuízos financeiros.

Segundo os analistas, o principal obstáculo é a falta de infraestrutura logística, como rodovias, ferrovias e sistemas de transporte adequados. A reorganização dessa estrutura demandaria investimentos elevados e planejamento de longo prazo, o que limita o aproveitamento imediato das reservas.

A carência de infraestrutura também afeta a competitividade do minério venezuelano no mercado internacional.

Relações internacionais e ambiente para investimentos

O especialista Ernesto Wong destacou que a melhora nas relações entre a Venezuela e países da União Europeia pode abrir espaço para a conquista de novos mercados, inicialmente interessados em petróleo e gás, mas com potencial de expansão para outros setores.

Segundo Wong, a política de transformação econômica anunciada por Caracas busca reduzir a dependência do petróleo e avançar para um modelo mais produtivo e diversificado. Esse movimento pode criar oportunidades para investidores estrangeiros, desde que respeitadas as condições estabelecidas pelo governo venezuelano.

A presença de metais não ferrosos e terras raras reforça a estratégia de diversificação e amplia o interesse internacional, em um momento de crescente competição global por recursos minerais estratégicos.

*Com informações da Sputnik News.


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