Apagão atinge leste de Cuba, deixa províncias sem energia e expõe crise no sistema elétrico sob embargo dos EUA

Milhares de moradores ficaram sem eletricidade nesta quarta-feira (04/02/2026) após uma falha na rede elétrica atingir o leste de Cuba, provocando interrupções totais em três províncias e desligamentos parciais em outra. A estatal União Elétrica de Cuba (UNE) informou que o problema começou em uma subestação na província de Holguín, causando desconexão em cadeia no sistema regional.

O corte afetou Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo, além de áreas de Holguín. Em Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, com mais de 400 mil habitantes, residências, comércios e serviços públicos registraram paralisações.

Relatos indicam que o fornecimento foi interrompido no fim da tarde, ampliando o impacto sobre atividades domésticas e hospitalares.

Falha técnica e alcance do apagão

Segundo a UNE, uma pane em equipamento de subestação gerou instabilidade e desligamento automático do sistema, interrompendo o abastecimento de energia em grande parte do leste da ilha. Técnicos foram mobilizados para restabelecer o serviço gradualmente.

O evento ocorre em meio a uma sequência de interrupções registradas nos últimos meses. Dados oficiais apontam que a geração elétrica nacional ficou abaixo da demanda, com capacidade reduzida por limitações operacionais e falta de combustível.

Moradores relatam que cortes frequentes se tornaram recorrentes, afetando armazenamento de alimentos, transporte urbano e comunicações.

Crise energética e infraestrutura envelhecida

O sistema elétrico cubano enfrenta dificuldades estruturais. Grande parte das usinas termoelétricas foi construída entre as décadas de 1980 e 1990, com necessidade de manutenção contínua e modernização. Apesar da instalação de parques solares com apoio externo, a geração alternativa ainda não supre o consumo total.

Autoridades atribuem parte das restrições ao embargo econômico dos Estados Unidos, em vigor desde 1962, que limita acesso a equipamentos, crédito e fornecedores internacionais. Especialistas também citam desafios internos, como redução de receitas do turismo e restrições orçamentárias.

Desde o fim de 2024, o país registrou apagões nacionais prolongados, alguns com duração de dias, inclusive na capital Havana.

Pressões externas e impactos humanitários

O cenário se intensificou após sinalizações do governo dos Estados Unidos sobre possível redução de fluxos de petróleo subsidiado da Venezuela, insumo central para a matriz energética cubana. Washington também indicou medidas comerciais contra países que mantenham exportações de petróleo à ilha.

Havana contesta a política, alegando que as sanções ampliam a escassez de insumos básicos. Paralelamente, organismos internacionais acompanham os efeitos sociais da crise. Representantes da ONU destacam preocupação com reflexos no abastecimento de água, hospitais, transporte público e conservação de alimentos.

A limitação de combustível dificulta o funcionamento de geradores e compromete respostas emergenciais, especialmente em regiões mais afastadas.

*Com informações da RFI.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading