O Banco do Brasil (BB) encerrou quarta-feira (11/02/2026) com a divulgação do balanço financeiro de 2025, registrando lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões, resultado 45,4% inferior ao obtido no ano anterior. A instituição atribui o desempenho à adoção de novas normas contábeis e ao aumento da inadimplência, fatores que pressionaram receitas e provisões para perdas.
No quarto trimestre, o banco lucrou R$ 5,742 bilhões, queda de 47,2% frente ao mesmo período de 2024, mas com alta de 51,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A instituição informou que a geração de receitas operacionais apresentou crescimento, principalmente nas linhas de crédito a pessoas físicas.
Segundo a direção, o desempenho reflete a priorização de modalidades com melhor retorno ajustado ao risco, como o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, dentro do Programa Crédito do Trabalhador.
Impacto das novas regras contábeis
O resultado anual foi influenciado pela resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou o modelo de reconhecimento de provisões. A norma substituiu o sistema de perdas efetivas pelo modelo de perda esperada, baseado em estimativas de risco.
Com a mudança, o banco deixou de reconhecer cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito, afetando o resultado final. As regras, aprovadas anteriormente, passaram a vigorar em 2025.
A instituição destacou que o novo padrão contábil antecipa riscos e amplia a transparência na mensuração das perdas, mas aumenta o volume de provisões no curto prazo.
Inadimplência pressiona desempenho
O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025. O aumento foi concentrado nas carteiras de agronegócio e cartões de crédito.
No agronegócio, a taxa atingiu 6,09%, avanço de 1,25 ponto percentual no último trimestre. Já a carteira de pessoas físicas encerrou o período com 6,56%, elevação de 0,55 ponto percentual.
O banco afirmou que acompanha a evolução dos atrasos e ajusta políticas de concessão e provisão para mitigar riscos futuros.
Carteira de crédito cresce e atinge R$ 1,296 trilhão
Apesar do ambiente de juros elevados, a carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,296 trilhão, crescimento de 1,4% no trimestre e 2,5% no ano.
Na segmentação, os destaques foram:
Pessoa Física: R$ 356,96 bilhões, alta de 7,6% em 12 meses, com R$ 14,3 bilhões em crédito consignado CLT.
Pessoa Jurídica: R$ 455,15 bilhões, avanço de 0,6% no ano, com expansão para grandes empresas e retração em micro e pequenas.
Agronegócio: R$ 406,13 bilhões, aumento de 2,1%, com R$ 103,9 bilhões liberados no Plano Safra 2025/2026.
Crédito Sustentável: R$ 415,1 bilhões, crescimento de 7,3%, equivalente a 32% do total da carteira.
O banco afirmou que a diversificação das linhas busca reduzir volatilidade e manter equilíbrio entre rentabilidade e risco.
Receitas, despesas e projeções para 2026
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 34,813 bilhões, recuo de 1,9%. Houve aumento nas receitas com fundos de investimento, consórcios e mercado de capitais, que compensaram parcialmente a queda.
As despesas administrativas totalizaram R$ 34,813 bilhões, alta de 5,1%, reflexo de reajustes salariais e investimentos em tecnologia e cibersegurança.
Para 2026, o banco projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, crescimento do crédito de 0,5% a 4,5%, avanço das receitas de serviços e custo do crédito estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.
*Com informações da Agência Brasil.








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