Bill e Hillary Clinton concordaram em depor perante uma comissão do Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (03/02/2026), após ameaça de sanções por descumprimento de convocação legislativa, no âmbito das investigações relacionadas ao caso Jeffrey Epstein. A decisão suspende, temporariamente, a possibilidade de encaminhamento de acusações formais ao Departamento de Justiça, enquanto parlamentares apuram eventuais vínculos do ex-presidente com o financista, condenado por crimes sexuais.
O comparecimento ocorre após semanas de pressão política e jurídica, com a comissão avaliando medidas por obstrução ao Congresso. A convocação integra uma apuração mais ampla sobre a conduta de autoridades públicas que mantiveram contato com Epstein ao longo de décadas.
Paralelamente, o governo norte-americano autorizou a divulgação de milhões de páginas de documentos, registros de viagens, fotos e correspondências, que mencionam figuras públicas de diferentes setores, ampliando o debate sobre transparência institucional e responsabilização política.
Convocação e decisão do casal Clinton
O porta-voz do casal confirmou que Bill Clinton, ex-presidente, e Hillary Clinton, ex-secretária de Estado, atenderão à convocação legislativa. Segundo a defesa, a participação busca estabelecer cooperação com o Congresso e encerrar questionamentos sobre eventual resistência ao depoimento.
Até então, a ausência nas oitivas havia motivado procedimentos internos para possível responsabilização por desacato, o que poderia resultar em sanções recomendadas ao Departamento de Justiça.
A comissão da Câmara avaliava duas resoluções para autorizar o envio do caso à procuradoria-geral, comandada por Pam Bondi, aliada política do presidente Donald Trump. A votação foi adiada após a confirmação do comparecimento.
Contexto das investigações e documentos liberados
O caso voltou ao centro do debate após a liberação de um grande volume de arquivos oficiais, contendo listas de contatos, registros de voos e imagens associadas ao círculo social de Epstein.
Entre os nomes mencionados nos registros aparecem políticos, empresários e executivos do setor de tecnologia, incluindo Donald Trump, Bill e Hillary Clinton, Bill Gates, Elon Musk, Larry Page, Sergey Brin, Peter Thiel e Reid Hoffman.
Autoridades ressaltam que a simples citação em documentos não caracteriza envolvimento criminal, mas a exposição pública dos registros intensificou a cobrança por esclarecimentos formais.
Relação de Bill Clinton com Epstein
Bill Clinton já reconheceu que viajou em ocasiões anteriores na aeronave privada de Epstein e participou de encontros sociais, mas afirma não ter conhecimento dos crimes praticados pelo financista.
O ex-presidente declarou ainda que não manteve contato com Epstein após 2008 e que não é alvo de investigação judicial relacionada às acusações de exploração sexual.
Epstein foi preso sob acusações de tráfico sexual e abuso de menores e morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, antes do julgamento. A morte gerou questionamentos e investigações administrativas.
Pedidos das vítimas e debate sobre privacidade
Representantes legais de vítimas solicitaram anonimato e supervisão independente sobre a divulgação dos arquivos, argumentando que a exposição pública pode gerar novos danos e comprometer a privacidade.
Parte do material, incluindo imagens sensíveis e informações de identificação, foi retida pelas autoridades para preservar direitos individuais.
Um juiz federal analisa pedidos para remover nomes e dados pessoais dos registros tornados públicos, enquanto o Departamento de Justiça informa ter revisado milhares de páginas para evitar identificação direta das vítimas.
Impactos políticos e institucionais
Analistas avaliam que a publicação em larga escala dos documentos pode produzir efeitos políticos simultâneos: ampliar a percepção de transparência administrativa e, ao mesmo tempo, gerar desgaste para figuras públicas mencionadas.
Parlamentares defendem que todas as autoridades convocadas devem prestar esclarecimentos, independentemente do cargo ocupado, como forma de assegurar igualdade perante a lei.
O depoimento dos Clinton ocorre nesse cenário de pressão por responsabilização, revisão de procedimentos institucionais e proteção às vítimas, com o Congresso buscando mapear a extensão das relações de Epstein com o meio político e empresarial.
*Com informações da RFI.











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