A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal instala, nesta quarta-feira (04/02/2026), às 10h, um grupo de trabalho destinado a acompanhar as investigações envolvendo o Banco Master, instituição que é alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal. Paralelamente, a CPMI do INSS encaminhou pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para autorizar o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco, previsto para quinta-feira (05/02/2026).
A criação do colegiado ocorre em meio a suspeitas de operações financeiras irregulares, incluindo a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), cujo montante investigado pode ultrapassar R$ 12 bilhões. A iniciativa busca ampliar o acompanhamento legislativo sobre o caso.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM), integrante do grupo, afirmou em nota que o trabalho reforça o compromisso do Senado com a transparência e a integridade do sistema financeiro, além de assegurar a apuração de eventuais irregularidades.
Instalação do grupo na CAE
A medida foi proposta pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e formalizada por meio da Instrução Normativa nº 1/2026. O objetivo é centralizar informações, acompanhar o andamento das investigações e subsidiar eventuais providências legislativas.
O grupo será composto pelos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Leila Barros (PDT-DF) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Segundo integrantes da comissão, o acompanhamento permitirá análise técnica de documentos, dados bancários e relatórios oficiais, além de interlocução com órgãos de controle.
Investigações da Polícia Federal
A Polícia Federal investiga operações classificadas como irregulares realizadas pelo Banco Master, com foco em transações de cessão de crédito e possíveis inconsistências contratuais.
Entre os pontos apurados está a suposta fraude na comercialização de carteiras de crédito ao BRB, operação que, de acordo com estimativas preliminares, pode superar a marca de bilhões de reais.
O caso envolve a verificação de procedimentos internos, registros financeiros e conformidade regulatória, além da eventual responsabilização administrativa e penal.
Pedido de depoimento à CPMI do INSS
Em outra frente, a CPMI do INSS oficiou o ministro do STF Dias Toffoli para autorizar o comparecimento do banqueiro Daniel Vorcaro ao colegiado. O depoimento está marcado para quinta-feira (05/02/2026), às 9h, em Brasília.
O pedido foi protocolado quinta-feira (29/01/2026) pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). A convocação está relacionada à concessão de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas por parte do banco.
No documento, o senador afirmou que o depoimento poderá esclarecer valores envolvidos, critérios de contratação, procedimentos de verificação dos clientes e condições operacionais.
Solicitação de autorização judicial
Como Vorcaro cumpre prisão domiciliar, a CPMI solicitou autorização para que ele seja transportado sob custódia da Polícia Federal até o local do depoimento.
O ofício ressalta que serão garantidos os direitos constitucionais de não autoincriminação, acompanhamento por advogado e tratamento digno.
Carlos Viana também argumentou que decisões do STF sobre condução coercitiva, relacionadas às ADPFs 395 e 444, não se aplicariam automaticamente às investigações parlamentares, que possuem normas próprias.
Atuação parlamentar
Segundo a presidência da CPMI, a oitiva de testemunhas é considerada essencial para o funcionamento das comissões de inquérito, que têm competência de investigação equiparada à de autoridades judiciais.
Sem depoimentos, o trabalho ficaria restrito à análise documental, o que, de acordo com o senador, limitaria a efetividade das apurações.
As duas frentes — CAE e CPMI — ampliam o acompanhamento institucional do Congresso sobre as operações do Banco Master, com foco em responsabilidade financeira e proteção de consumidores.
*Com informações da Agência Senado.











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