O primeiro dia oficial do Carnaval de Salvador 2026 registrou forte presença de blocos afro, afoxés e agremiações de samba no Circuito Osmar, no Centro da capital baiana. A programação foi impulsionada pelo Programa Ouro Negro, com financiamento ampliado para manifestações de matriz africana. Os desfiles começaram ainda no Pelourinho e seguiram até o Campo Grande, reunindo música, religiosidade, memória histórica e ações comunitárias.
A abertura foi conduzida pelo Bloco do Reggae – Alzira do Conforto, que saiu do Pelourinho em direção ao circuito principal, celebrando os 50 anos da libertação de Angola. O trio contou com apresentações de Adão Negro e Tulani Masai, além de elementos cênicos como bonecões e pernas de pau.
No mesmo trajeto, o Afoxé Dança Bahia percorreu o trecho entre a Praça Municipal e a Castro Alves com o tema “Rum pi lé Gan”, referência aos atabaques do candomblé. A condução foi do Mestre Macumba, com participação de jovens capoeiristas do bairro de São Marcos.
Samba marca os 110 anos do gênero no circuito
O samba concentrou parte expressiva da programação, com destaque para o Bloco Alerta Geral, que levou à avenida o tema “A Rota do Samba” para assinalar os 110 anos do gênero no Brasil. O desfile prestou homenagem ao repertório do artista Arlindo Cruz, com participação de Arlindinho e do grupo Fundo de Quintal.
Ainda no Campo Grande, o Bloco Fogueirão Samba de Roda apresentou o tema “Mães do Samba: Guardiãs da Cultura Ancestral”. Fundado por Jorge Fogueirão, o bloco destacou lideranças femininas do samba junino e do Recôncavo Baiano, com cortejos familiares e repertório tradicional.
Durante a madrugada, o Samba e Folia manteve a programação mesmo sob chuva, combinando samba e pagode baiano. No contrafluxo, o Bloco Corrente do Samba celebrou 18 anos de atividades com o tradicional banho de pipoca das baianas, prática associada a rituais de proteção.
Capoeira, religiosidade e estética bantu ampliam a diversidade cultural
Outras manifestações reforçaram a pluralidade do circuito. O Bloco Namoral desceu a Rua Chile com a banda Gera Samba, relacionando samba, fé popular e devoção a São Jorge e Ogum.
A capoeira ganhou visibilidade com o Bloco da Capoeira, liderado por Tonho Matéria, que promoveu rodas coletivas e ações educativas em 13 comunidades. A proposta foi integrar música, dança e formação social.
Também desfilaram o Bloco Afro Bankoma, com estética bantu e referências ao nkisi Mutalambô, o Bloco Arca do Axé, com ações sociais na Engomadeira, e o Bloco Cultural, acompanhado da banda Yayá Muxima, formada exclusivamente por mulheres negras.
A presença dessas agremiações consolidou o primeiro dia como espaço de valorização das matrizes africanas, circulação econômica local e fortalecimento de políticas públicas culturais, integrando tradição, formação comunitária e ocupação do Centro Histórico.








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