A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a criação do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B) durante reunião do Conselho Arbitral da Série B, realizada quinta-feira (05/02/2026). A iniciativa prevê manutenção do custeio integral de despesas operacionais, como logística, hospedagem, exames antidoping e arbitragem, condicionada ao cumprimento de regras de responsabilidade fiscal e gestão financeira. No mesmo encontro, foi aprovada a implantação de playoffs entre o 3º e o 6º colocados para definir vagas de acesso.
O programa integra o Sistema de Sustentabilidade Financeira (Fair Play Financeiro) da entidade e estabelece critérios de controle orçamentário, transparência e solvência como contrapartida para os benefícios concedidos aos clubes participantes.
Segundo a CBF, a proposta busca fortalecer a estrutura econômica da competição e padronizar práticas administrativas entre os filiados.
Apoio financeiro condicionado ao cumprimento de regras
Pelo modelo anunciado, a CBF continuará financiando integralmente transporte, hospedagem, taxas de arbitragem e exames antidoping durante a disputa da Série B. Esses custos historicamente representam parte relevante do orçamento anual das equipes.
A partir desta temporada, no entanto, a permanência no benefício estará vinculada ao atendimento de requisitos do Fair Play Financeiro, incluindo prestação de contas, organização fiscal e controle de passivos.
O presidente da CBF, Samir Xaud, afirmou que a decisão foi alinhada com os clubes. “Chegamos a um modelo que permite a ajuda financeira da CBF, mas com contrapartida de controle e responsabilidade na gestão”, declarou.
Posição da diretoria e dos clubes
O vice-presidente Gustavo Henrique Dias informou que o programa foi desenvolvido pelo corpo técnico da entidade com foco na sustentabilidade da competição. A medida, segundo ele, pretende corrigir práticas anteriores e estabelecer critérios permanentes de governança.
Representantes de clubes também avaliaram positivamente as mudanças. Guilherme Bellintani, da SAF do Londrina, afirmou que a combinação entre novo formato esportivo e regras fiscais pode gerar maior previsibilidade financeira.
Dirigentes de Náutico e São Bernardo, que possuíam acordos logísticos específicos, declararam apoio à padronização do custeio, com o objetivo de reduzir diferenças operacionais entre as equipes.
Novo formato de disputa com playoffs
Outra decisão do Conselho Arbitral foi a alteração do modelo competitivo da Série B. Após as 38 rodadas de pontos corridos, os clubes posicionados entre 3º e 6º lugar disputarão playoffs em jogos de ida e volta.
Os confrontos ocorrerão entre 3º x 6º e 4º x 5º, com os vencedores garantindo as duas vagas restantes de acesso à Série A, somando-se aos dois primeiros colocados da tabela geral.
De acordo com o diretor de competições Julio Avellar, a mudança visa ampliar o interesse esportivo e comercial da fase final do campeonato.
Calendário e ajustes operacionais
Os clubes também aprovaram ajustes no calendário, com partidas mantidas durante o período da Copa do Mundo, eliminando a pausa inicialmente prevista. A medida busca ampliar o intervalo entre jogos e melhorar a preparação física.
A entidade avalia que o espaçamento pode reduzir desgaste de atletas e facilitar a logística das equipes ao longo da temporada.
O planejamento operacional continuará sendo detalhado nos regulamentos específicos da competição.
Critérios técnicos, auditoria e fiscalização
O PARF-B exigirá indicadores de desempenho financeiro, solvência e transparência administrativa. O detalhamento técnico será publicado em regulamento próprio até o fim de fevereiro.
O monitoramento ficará sob responsabilidade da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), criada para fiscalizar o cumprimento das normas do Fair Play Financeiro.
A agência realizará auditorias periódicas e poderá recomendar sanções em caso de descumprimento das exigências estabelecidas.
Regras de permanência no programa
A adesão ao programa é facultativa, porém os clubes inscritos estarão sujeitos a acompanhamento contínuo durante toda a competição. O descumprimento das normas poderá resultar em exclusão imediata do benefício.
Nessa situação, a equipe perderá o subsídio da CBF e assumirá integralmente os próprios custos operacionais até o término da Série B.
A entidade afirma que o objetivo é garantir que os recursos economizados sejam direcionados à reorganização financeira e ao equilíbrio administrativo dos clubes.










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