O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira (05/02/2026) que a ampliação das relações com o BRICS, a Rússia e a China representa uma alternativa concreta de desenvolvimento para o Sul Global, em meio ao aumento das tensões diplomáticas e econômicas com os Estados Unidos. A declaração ocorreu durante manifestações públicas em Havana, nas quais o chefe de Estado defendeu maior coordenação política e econômica entre países emergentes.
O posicionamento ocorre em um cenário de pressões externas, restrições comerciais e dificuldades no abastecimento energético, fatores que, segundo o governo cubano, exigem novas parcerias estratégicas e diversificação de mercados.
Integração com o Sul Global e articulação via BRICS
Díaz-Canel destacou que a cooperação com o BRICS, bloco formado por grandes economias emergentes, pode oferecer mecanismos financeiros, comerciais e diplomáticos alternativos ao sistema dominado por potências ocidentais. Para o presidente, a integração entre países do Sul Global deve ir além do discurso político e se traduzir em ações econômicas coordenadas.
O mandatário defendeu unidade prática entre os blocos regionais, com ampliação de investimentos conjuntos, fortalecimento do comércio bilateral e criação de instrumentos multilaterais capazes de sustentar cadeias produtivas independentes. Segundo ele, Rússia e China exercem papel relevante nesse processo ao ampliar cooperação tecnológica, energética e financeira.
De acordo com o governo cubano, essas parcerias podem reduzir vulnerabilidades externas e criar novas rotas de desenvolvimento, sobretudo para países que enfrentam restrições de acesso a crédito internacional ou sanções comerciais.
Pressões externas e narrativa de desinformação
Durante o pronunciamento, o presidente afirmou que Cuba enfrenta uma campanha de pressão econômica, psicológica e informacional, com o objetivo de gerar instabilidade interna e desconfiança na sociedade. Ele declarou que estratégias semelhantes teriam sido aplicadas anteriormente contra outros países latino-americanos.
O governo sustenta que ações desse tipo afetam o funcionamento do comércio exterior, a chegada de investimentos e o abastecimento de insumos estratégicos, impactando diretamente setores como energia, transporte e alimentação.
Nesse contexto, Díaz-Canel alertou que o Sul Global deve acompanhar com atenção os cenários internacionais e as propostas de reorganização geopolítica, avaliando alternativas que garantam soberania e autonomia econômica.
Tensões recentes com os Estados Unidos
As declarações ocorrem após medidas anunciadas pelos Estados Unidos, incluindo tarifas de importação sobre mercadorias de países que comercializam petróleo com Cuba e a decretação de estado de emergência com base em alegações de segurança nacional. As decisões ampliaram o clima de tensão entre Havana e Washington.
Autoridades cubanas afirmam que tais restrições contribuem para dificuldades logísticas e energéticas na ilha, exigindo planos de contingência e maior diversificação de fornecedores.
Apesar do cenário, o vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío informou que existem contatos diplomáticos entre os dois países, mas ainda não há diálogo oficial estruturado.
Apoio regional e mediação diplomática
No âmbito latino-americano, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou que o país está disposto a mediar as tensões entre Cuba e Estados Unidos, caso ambas as partes concordem com negociações. A proposta segue a tradição diplomática mexicana de defesa do diálogo e da solução pacífica de conflitos.
Paralelamente, Moscou e Havana mantêm agendas de cooperação política e econômica, com encontros entre chanceleres e reforço de acordos bilaterais. A aproximação inclui áreas como comércio, energia e coordenação diplomática em fóruns multilaterais.
Para o governo cubano, essas articulações indicam um redesenho das alianças internacionais com foco em multipolaridade e cooperação entre economias emergentes.
*Com informações da Sputnik News.










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