Os Emirados Árabes Unidos (EAU) avançaram na ampliação de sua presença econômica na América Latina ao formalizar acordos comerciais e compromissos de investimento com Equador e Paraguai, consolidando uma estratégia voltada à segurança alimentar, atração de ativos logísticos e diversificação de mercados. As assinaturas ocorreram durante agendas oficiais em Dubai, no contexto da Cúpula Mundial de Governos.
Os presidentes Daniel Noboa e Santiago Peña participaram de reuniões bilaterais com o presidente emiradense Mohamed bin Zayed al-Nahyan, reforçando negociações em comércio, infraestrutura, energia e conectividade aérea. Os instrumentos firmados estabelecem bases jurídicas para cooperação de longo prazo.
O Equador concluiu um Acordo de Parceria Econômica Abrangente (CEPA), enquanto o Paraguai assinou memorando de modernização governamental, entendimentos setoriais e contrato de investimento de US$ 450 milhões (R$ 2,3 bilhões) da empresa Etihad Rail, destinado à recuperação de um Trem de Cercanias em Assunção.
Integração comercial e modelo de acordos
Especialistas apontam que a atuação dos Emirados na região se organiza em três instrumentos principais: acordos de Promoção e Proteção de Investimentos, tratados de livre comércio e CEPAs. Esses mecanismos buscam reduzir barreiras tarifárias, ampliar garantias legais e estimular fluxos de capital.
Em 2024, o país firmou acordo recíproco de proteção de investimentos, considerado etapa inicial para a entrada de recursos estrangeiros. O CEPA celebrado com o Equador soma-se a tratado semelhante fechado com o Chile, que eliminou tarifas para 97% dos produtos exportados ao mercado emiradense.
Também está em negociação um Tratado de Livre Comércio entre os EAU e o Mercosul, iniciado em 2024, com previsão de conclusão até 2026, ampliando o acesso a mercados e a integração regulatória entre os blocos.
Crescimento do comércio bilateral na região
Levantamentos acadêmicos indicam que a América Latina tornou-se destino prioritário da política comercial emiradense. Em cinco anos, foram abertas negociações com nove economias latino-americanas, por meio de seis CEPAs.
Dados de comércio exterior mostram aumento expressivo nas trocas entre 2019 e 2022. O Brasil registrou crescimento de 389% nas importações provenientes dos EAU, o Equador ampliou em 259% suas exportações, e a Colômbia elevou em 159% as vendas externas ao país árabe.
Analistas avaliam que o conjunto desses acordos evidencia reconfiguração das parcerias sul-sul, com foco em estabilidade de cadeias produtivas, segurança de suprimentos e ampliação de rotas comerciais.
Segurança alimentar, tecnologia e logística
A segurança alimentar é apontada como eixo central do interesse emiradense, considerando a capacidade latino-americana de produção de grãos, proteínas animais, frutas e derivados agrícolas. O objetivo é garantir abastecimento interno e redistribuição regional.
Paralelamente, avançam entendimentos em Inteligência Artificial e inovação tecnológica. Os Emirados se tornaram o primeiro país a instituir um Ministério da Inteligência Artificial, política voltada à digitalização de serviços públicos e atração de investimentos em tecnologia.
Mesmo com população estimada em cerca de 10 milhões de habitantes, os EAU buscam consolidar-se como plataforma logística global, apoiados pela atuação da DP World, operadora de terminais portuários em Buenos Aires, Callao e Santos, facilitando a reexportação de produtos sul-americanos ao Oriente Médio.
Paraguai busca protagonismo regional
Durante a visita oficial, o governo paraguaio apresentou o país como hub logístico regional, destacando hidrovias navegáveis, integração pela Rota Bioceânica e oferta de energia renovável. A estratégia prevê conexão direta entre América do Sul, Oriente Médio e Ásia.
A abertura de embaixada em Abu Dhabi, em 2023, integra a política de aproximação diplomática e captação de investimentos. Autoridades consideram a presença permanente instrumento para negociação com fundos soberanos e empresas estrangeiras.
O aporte anunciado para o sistema ferroviário de Assunção é tratado como projeto estruturante de mobilidade urbana, viabilizado por capital externo. Avaliações apontam que regime tributário competitivo, custos operacionais reduzidos e disponibilidade energética ampliam a atratividade do país para novos empreendimentos.
*Com informações da Sputnik News.








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