Os Estados Unidos manifestaram interesse em processar minérios críticos e terras raras em território brasileiro, segundo declaração do secretário adjunto do Departamento de Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, Caleb Orr, durante entrevista coletiva concedida na quarta-feira (11/02/2026). A proposta envolve parcerias para refino local desses recursos estratégicos, utilizados em setores como tecnologia, defesa, energia renovável e eletrônicos.
De acordo com o representante norte-americano, o Brasil reúne reservas consideradas relevantes de terras raras, o que posiciona o país como potencial fornecedor e parceiro industrial na cadeia de processamento mineral. Orr afirmou que Washington busca estabelecer uma “parceria sólida” voltada ao desenvolvimento conjunto da etapa de refinamento.
O governo dos EUA também informou que mantém negociações ativas com autoridades brasileiras, com expectativa de avanços nas tratativas nos próximos meses.
Interesse em processamento local e cadeia produtiva
Segundo Orr, a estratégia norte-americana prevê processamento e beneficiamento dos minérios no próprio Brasil, em vez de apenas exportação de matéria-prima. O objetivo declarado é estruturar uma solução classificada como “ganha-ganha”, com geração de valor agregado no país produtor.
A iniciativa se insere no contexto de diversificação das cadeias globais de suprimentos de minerais críticos, considerados essenciais para baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores e equipamentos militares. Esses insumos são tratados como estratégicos por diferentes economias.
O secretário adjunto destacou que o Brasil é visto como parceiro relevante não apenas em terras raras, mas também em outros recursos naturais, citando a diversidade da economia brasileira como fator de interesse para investimentos.
Projetos e participação de empresas
Durante a coletiva, Orr afirmou que empresas norte-americanas já financiam projetos no setor de terras raras no Brasil, sem detalhar quais iniciativas ou valores envolvidos. Segundo ele, esses investimentos fazem parte de uma aproximação econômica mais ampla entre os dois países.
O processamento desses minerais envolve etapas como separação química, refino e transformação em insumos industriais, fases que concentram maior valor agregado dentro da cadeia produtiva. A instalação de plantas industriais no Brasil pode ampliar a participação do país nesse segmento.
Especialistas do setor apontam que o desenvolvimento local de tecnologia de refino é considerado estratégico para reduzir dependência externa e aumentar competitividade internacional.
Contexto geopolítico e estratégico
O movimento ocorre em um cenário de disputa global por acesso a minerais críticos, impulsionado pela transição energética e pela digitalização da economia. Países buscam garantir fornecimento estável e diversificar origens de matérias-primas.
As terras raras, grupo de elementos químicos utilizados na fabricação de ímãs permanentes, sensores e componentes eletrônicos, têm papel central nessa agenda. O domínio do processamento industrial desses insumos é tratado como questão de segurança econômica por diferentes governos.
Até o momento, não foram divulgados prazos, modelos de contrato ou metas específicas para a possível parceria entre Brasil e Estados Unidos.
*Com informações da Sputnik News.










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