Na terça-feira (03/02/2026), Marius Borg Høiby, de 29 anos, filho da princesa herdeira Mette-Marit da Noruega, declarou-se inocente das acusações de estupro no primeiro dia de julgamento criminal realizado em tribunal local. O processo reúne 38 acusações, incluindo crimes sexuais, violência, ameaças e infrações relacionadas a drogas, com pena máxima que pode chegar a 16 anos de prisão.
Durante a audiência, Høiby negou as quatro acusações formais de estupro, mas admitiu total ou parcialmente outros delitos, como episódios de agressão, ameaças, violação de medidas restritivas e transporte de entorpecentes. Em um dos casos reconhecidos, ele afirmou ter transportado 3,5 quilos de maconha em 2020.
O julgamento ganhou repercussão nacional por envolver um integrante ligado à família real e por impactar diretamente a imagem institucional da monarquia norueguesa.
Detalhes das acusações e medidas cautelares
Segundo o Ministério Público, os supostos estupros teriam ocorrido entre 2018 e 2024, após relações inicialmente consentidas, em situações nas quais as vítimas estariam sem condições de oferecer resistência, muitas vezes associadas ao consumo de álcool.
Um dos episódios citados teria acontecido durante período de férias nas ilhas Lofoten, em 2023, quando o acusado acompanhava o príncipe herdeiro Haakon. A acusação sustenta que houve penetração sexual sem consentimento válido.
No domingo anterior ao julgamento, a Justiça determinou prisão preventiva por quatro semanas, atendendo a pedido da polícia com base em risco de reincidência, após novas suspeitas de agressão física, ameaças com faca e descumprimento de ordem de afastamento.
Defesa, posicionamento do Ministério Público e vítimas
A defesa argumenta que Høiby interpretou os episódios como relações consentidas e contestou a caracterização criminal dos fatos. A advogada do réu criticou a exposição midiática intensa, alegando que o processo deve ser decidido exclusivamente no tribunal.
O promotor responsável declarou que o acusado não receberá tratamento diferenciado por seus vínculos com a família real, garantindo aplicação igualitária da lei. A acusação detalhou os fatos enquanto o réu acompanhava a leitura das denúncias.
Ao todo, sete pessoas são consideradas possíveis vítimas, cujas identidades permanecem protegidas judicialmente. A exceção é Nora Haukland, modelo e influenciadora, que relatou publicamente agressões atribuídas ao acusado.
Histórico recente e impacto político-institucional
Høiby foi detido inicialmente em 04/08/2024, suspeito de agredir sua parceira. Posteriormente, declarou ter agido sob influência de álcool e cocaína, mencionando problemas de saúde mental e dependência química.
A investigação policial identificou indícios de outros crimes, incluindo registros audiovisuais de episódios envolvendo as vítimas. Parte do material foi incorporada ao processo judicial.
O caso é apontado como o maior escândalo recente envolvendo a família real norueguesa, gerando debate público sobre transparência institucional. Pesquisa divulgada nesta mesma data indicou que mais de 70% da população percebe enfraquecimento da imagem da monarquia, embora o Parlamento tenha mantido o regime monárquico em votação paralela.
*Com informações da RFI.










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