As autoridades da França apreenderam 81 toneladas de cocaína em 2025, estabelecendo novo recorde anual e representando crescimento de 50% em relação a 2024, quando foram recolhidas 54 toneladas. O volume supera também as 23 toneladas registradas em 2023, consolidando uma sequência de aumentos sucessivos nas interceptações.
Os números foram divulgados pelo Ministério do Interior da França e indicam intensificação das ações de combate ao tráfico internacional de drogas no território francês e em áreas ultramarinas.
Parte significativa da cocaína tem origem na América do Sul, com rotas que incluem Brasil, além de conexões logísticas nas Antilhas e na Guiana Francesa.
Concentração das apreensões nas Antilhas
Segundo informações das autoridades judiciais, 42 toneladas — mais da metade do total — foram interceptadas na região das Antilhas, área estratégica de passagem para cargas destinadas ao continente europeu.
O trabalho é coordenado por estruturas especializadas de investigação, incluindo a Jurisdição Inter-regional Especializada, com atuação em territórios como Martinica e Guadalupe.
As autoridades avaliam que a posição geográfica dessas ilhas facilita a movimentação de embarcações e aeronaves utilizadas por organizações criminosas internacionais.
Consumo interno e expansão do mercado
Levantamentos do Observatório Francês de Drogas e Tendências Aditivas indicam que 1,1 milhão de pessoas consumiram cocaína ao menos uma vez em 2023, evidenciando crescimento da demanda interna.
Relatório do Ofast aponta que não há regiões livres da presença do tráfico, com distribuição ampla da droga em centros urbanos e áreas periféricas.
O aumento da oferta também impactou o mercado: o preço médio por grama caiu de € 66 para € 58 entre 2023 e 2024, ampliando o acesso ao produto e intensificando disputas entre grupos criminosos.
Rotas aéreas e origem sul-americana
O Ofast informou a apreensão de mais de seis toneladas de entorpecentes transportados por cerca de mil passageiros aéreos, prática conhecida como uso de “mulas”.
Do total interceptado, 2,9 toneladas eram de cocaína e 2,7 toneladas de cannabis, volume que, segundo o órgão, pressiona os serviços de repressão e fiscalização.
As investigações indicam que a cocaína destinada ao mercado francês chega principalmente da Guiana Francesa, das Antilhas e do Brasil, integrando cadeias logísticas transnacionais que utilizam voos comerciais, rotas marítimas e conexões terrestres.
*Com informações da RFI.








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