O Brasil ampliou sua participação no mercado internacional de defesa e segurança, com crescimento de 110% nas exportações de armamentos e equipamentos militares desde 2024, impulsionado pelo aumento da demanda global por produtos do setor. Os resultados foram consolidados quarta-feira (04/02/2026), em balanços divulgados por representantes da indústria e dados do Ministério da Defesa, que apontam presença comercial brasileira em 140 países.
O desempenho ocorre em um cenário internacional marcado por conflitos armados e expansão dos orçamentos militares, o que elevou a procura por aeronaves, sistemas eletrônicos, munições, embarcações e veículos blindados.
Mesmo com discurso diplomático voltado à mediação de conflitos, o país fortaleceu sua Base Industrial de Defesa (BID) e diversificou mercados compradores.
Crescimento das exportações e novos mercados
Nos últimos dois anos, o volume de comercialização de produtos e serviços do setor atingiu US$ 3,1 bilhões em 2025, alta de 74% em relação ao ano anterior e mais que o dobro do registrado em 2023. Aproximadamente 80 empresas brasileiras, entre estatais e privadas, integram a cadeia produtiva.
De acordo com o Ministério da Defesa, os principais destinos das exportações incluem Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal. A carteira de clientes também se expandiu para países da Ásia e do Oriente Médio.
Segundo representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), a estratégia de ampliar a atuação internacional reduziu a dependência de poucos compradores e aumentou a competitividade dos produtos nacionais.
Expansão ocorre apesar de restrições internas
O avanço das exportações aconteceu mesmo com redução dos investimentos federais em compras domésticas, que recuaram após a crise econômica iniciada em 2014 e passaram a representar cerca de 1% do PIB.
Especialistas apontam que a diminuição de encomendas das Forças Armadas levou empresas a buscar contratos no exterior como alternativa para manter projetos e linhas de produção.
Nesse contexto, o governo intensificou apoio diplomático, participação em feiras internacionais e missões técnicas, com o objetivo de abrir mercados e consolidar parcerias estratégicas.
Embraer e diversificação tecnológica
A Embraer Defesa & Segurança aparece como principal vitrine do setor. Em 2025, a empresa registrou carteira de pedidos de US$ 4,6 bilhões, com destaque para o avião de transporte militar C-390 Millennium, comercializado com diferentes países.
Além de armas leves e munições, o Brasil ampliou a oferta para embarcações militares, blindados, radares, sistemas de comunicação, softwares de proteção de dados e equipamentos eletrônicos, ampliando o portfólio tecnológico.
O setor estima cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos e participação de 3,49% no Produto Interno Bruto (PIB), o que reforça o peso econômico da cadeia produtiva.
Cenário internacional e projeções
Levantamentos internacionais indicam que 2024 registrou o maior aumento de gastos militares desde o fim da Guerra Fria, estimulando contratos de fornecimento em diferentes regiões.
No ranking global de exportadores de armamentos divulgado em 2025, o Brasil ocupa a 24ª posição, sendo o único representante da América Latina na lista.
Analistas avaliam que novos projetos estratégicos, como submarinos, fragatas e aeronaves de combate produzidos em parceria internacional, podem ampliar a presença do país nos próximos anos, com possibilidade de ascensão no ranking mundial.
*Com informações da RFI.










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