O aumento do consumo mundial de salmão cultivado em cativeiro tem ampliado a produção em larga escala e provocado impactos ambientais, uso de substâncias químicas, pressão sobre estoques pesqueiros e efeitos sociais em comunidades do sul global, segundo relatos de pesquisadores, organizações ambientais e especialistas do setor.
Nas últimas décadas, o salmão deixou de ser um produto restrito a ocasiões específicas e passou a integrar o consumo frequente em grandes centros urbanos. A mudança foi viabilizada pela expansão da criação em fazendas marinhas, sobretudo em Chile, Escócia e Noruega, principais produtores globais.
Dados do setor indicam que o consumo triplicou nos últimos 40 anos, impulsionado por sistemas intensivos de confinamento em gaiolas no mar, método que permite elevada densidade de peixes por área.
Produção em cativeiro e condições sanitárias
Nas fazendas, milhares de salmões permanecem concentrados em espaços limitados, o que favorece estresse, doenças e proliferação de parasitas, como o piolho-do-mar. Para controlar esses agentes, empresas recorrem a produtos químicos e medicamentos veterinários aplicados diretamente nas estruturas de cultivo.
Entre as substâncias utilizadas estão deltametrina, azametifos e benzoato de emamectina, compostos que podem se dispersar pelas correntes marítimas e atingir outras espécies. Especialistas apontam que resíduos também podem permanecer no próprio peixe.
Autoridades sanitárias de países produtores já emitiram orientações para moderação no consumo, citando a necessidade de controle sobre contaminantes e riscos ambientais associados à atividade.
Pressão sobre recursos pesqueiros
Além dos impactos locais, a cadeia produtiva depende de grande volume de ração à base de farinha e óleo de peixe. Como o salmão é carnívoro, a alimentação inclui espécies menores capturadas em larga escala.
Estimativas indicam que 1 a 2 quilos de outros peixes são necessários para produzir 1 quilo de salmão cultivado. Parte dessa matéria-prima é obtida em regiões costeiras da África Ocidental.
Organizações ambientais afirmam que centenas de milhares de toneladas de pescado são desviadas anualmente da alimentação humana para a indústria de ração, reduzindo a disponibilidade para comunidades locais e afetando pescadores artesanais em países como Mauritânia, Senegal e Gâmbia.
Condições de trabalho e expansão internacional
O crescimento da produção também levanta questionamentos sobre condições laborais em fazendas marinhas, especialmente no Chile, segundo maior produtor mundial. Relatos apontam acidentes frequentes com trabalhadores responsáveis pela manutenção de gaiolas e operações subaquáticas.
Casos de lesões graves e mortes de mergulhadores foram registrados nos últimos anos, conforme levantamentos citados por pesquisadores que acompanham o setor.
Mesmo diante das críticas, grandes empresas mantêm planos de expansão. Multinacionais preveem aumento da capacidade anual de produção e implantação de novos projetos em países da Europa, Ásia e Oriente Médio, sinalizando continuidade do modelo intensivo de aquicultura.
*Com informações da RFI.










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