Luiz Bangbala, ogan mais antigo do Brasil, morre aos 106 anos no Rio de Janeiro

O religioso Luiz Ângelo da Silva, conhecido como Luiz Bangbala, reconhecido como o ogan mais antigo do Brasil, morreu aos 106 anos no domingo (15/02/2026), no Rio de Janeiro. O sepultamento está previsto para esta terça-feira (17/02/2026), no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense.

Bangbala acumulava mais de 80 anos de atuação no candomblé, exercendo a função de ogan, responsável pela condução rítmica dos rituais por meio dos atabaques. O falecimento foi comunicado pela família nas redes sociais.

Ele estava internado desde 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, em decorrência de infecção nos rins, segundo relato de parentes.

Trajetória religiosa e cultural

Nascido em 21/06/1919, em Salvador, Bangbala foi iniciado ainda jovem no candomblé, tradição religiosa de matriz africana. Após a iniciação, passou a atuar como ogan, função ligada à sustentação musical e à organização das cerimônias dedicadas aos orixás.

Posteriormente, mudou-se para Belford Roxo, onde residiu até o fim da vida. Na cidade, manteve participação contínua em casas de culto e atividades comunitárias ligadas à preservação de práticas religiosas afro-brasileiras.

Além do trabalho nos terreiros, o religioso participou da fundação do Afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro, grupo dedicado à difusão de expressões culturais afro-brasileiras, incluindo música e cortejos.

Produção artística e reconhecimento público

Bangbala gravou dezenas de álbuns de cânticos tradicionais em língua iorubá, voltados à preservação da memória oral do candomblé. As gravações são utilizadas em celebrações religiosas e atividades culturais.

Em 2014, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República, em reconhecimento à contribuição para a cultura brasileira. Ao longo dos anos, também foi homenageado por entidades culturais e escolas de samba.

Entre as homenagens recentes estão tributos promovidos pela Unidos do Cabuçu, em 2020, e uma exposição dedicada à sua trajetória no Centro Cultural Correios, em 2024.

Repercussão no meio religioso

O babalorixá Ivanir dos Santos destacou a importância histórica do ogan para a preservação das tradições. Segundo ele, Bangbala atuava como guardião da memória ritualística, transmitindo conhecimentos sobre cerimônias, cantos e práticas fúnebres.

A função de ogan, exercida por Bangbala por mais de oito décadas, envolve responsabilidades musicais, organizacionais e simbólicas dentro das casas de candomblé, sendo considerada essencial para a condução dos ritos.

Com a morte, lideranças religiosas afirmam que o legado permanece por meio das gravações, ensinamentos e registros culturais mantidos pelas comunidades.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading