Ministro Fernando Haddad eleva imposto de importação para mais de mil produtos, defende proteção à indústria e condiciona saída do governo a agenda do presidente Lula nos EUA

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou quarta-feira (25/02/2026) que o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos tem caráter regulatório e busca proteger a produção nacional, ao mesmo tempo em que indicou que sua saída do cargo dependerá da possível viagem do presidente aos Estados Unidos. Parte das novas alíquotas já entrou em vigor e o restante será aplicado a partir de março.

Segundo o ministro, mais de 90% dos itens atingidos possuem fabricação no Brasil, o que, na avaliação do governo, reduz o impacto direto ao consumidor final. A medida pode elevar as tarifas em até 7,2 pontos percentuais, incidindo sobre bens de consumo e equipamentos industriais.

Haddad declarou que o objetivo é incentivar empresas estrangeiras a instalar produção no país, reduzindo dependência de importações. Ele acrescentou que a norma prevê revisões periódicas das tarifas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, inclusive com possibilidade de redução ou isenção.

Impacto fiscal e setores atingidos

De acordo com estimativas da equipe econômica do Ministério da Fazenda, a alteração pode reforçar a arrecadação em cerca de R$ 14 bilhões por ano, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância para resultado zero e teto de R$ 68,6 bilhões.

A lista de produtos afetados inclui smartphones, caldeiras, turbinas, fornos industriais, robôs industriais, tratores, empilhadeiras, navios, plataformas de perfuração, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e equipamentos laboratoriais. Parte desses setores depende de compras internacionais para composição de custos.

O anúncio provocou críticas de segmentos empresariais e de parlamentares da oposição, que apontam possível aumento de custos operacionais e repasse de preços. O governo sustenta que a medida corrige distorções concorrenciais e fortalece a indústria instalada no território nacional.

Smartphones e regras específicas

No segmento de celulares, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que 95% dos aparelhos comercializados no país são produzidos localmente, o que limitaria o alcance do aumento tarifário. Apenas 5% seriam importados diretamente.

Empresas que não mantêm fabricação nacional podem sofrer maior incidência de imposto, enquanto marcas com produção local não seriam impactadas, segundo o governo. Componentes sem similar fabricado no Brasil permanecem com tarifa zero, a fim de evitar encarecimento da cadeia produtiva.

A equipe econômica avalia que a diferenciação preserva a competitividade industrial e evita aumento generalizado de preços no varejo.

Saída do ministério e agenda internacional

Haddad também informou que a definição de sua saída do cargo depende da participação em eventual viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para reunião com o presidente Donald Trump. O encontro bilateral é cogitado para ocorrer entre 15 e 20 de março, sem confirmação oficial.

O ministro afirmou que pretende se reunir com o presidente para decidir se integrará a comitiva. Caso participe da agenda externa, a transição no comando da pasta poderá ser adiada.

Desde o fim de 2025, Haddad manifesta intenção de deixar o ministério para colaborar com a articulação política do governo. Antes disso, pretende concluir estudos sobre financiamento de tarifa zero no transporte público e regulamentação tributária de criptoativos.

Sucessão e cenário político

Nos bastidores, o nome mais citado para a sucessão é o do atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan. Em caso de mudança, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, pode assumir a função executiva.

Embora negue publicamente candidatura, Haddad é mencionado internamente como possível concorrente a cargos majoritários em São Paulo. O ministro, entretanto, mantém a posição de não disputar eleições no próximo ciclo.

A equipe econômica afirma que a continuidade das políticas fiscais e industriais independe de alterações no comando do ministério.

*Com informações da Agência Brasil.


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