A banda Outros Bárbaros lançou o terceiro álbum de estúdio, “Pelas Ruas das Américas”, marcando uma nova formação em trio e a ampliação das referências da música brasileira contemporânea. O trabalho reúne 10 faixas autorais, participações especiais e uma versão de “Alucinação”, de Belchior, integrando uma proposta estética voltada à MPB e ao rock de influência setentista. O lançamento ocorre em meio à divulgação dos singles “Fortaleza hostil” e “Nós dois”, já disponíveis nas plataformas digitais.
O grupo é formado por Maurício Peixoto (voz e guitarra), Eduardo Lehr (baixo) e Marco Mibach (bateria e percussão). A maior parte das composições é assinada por Peixoto, com colaborações pontuais de outros letristas e músicos convidados.
Gravado de forma independente, o álbum também teve a produção registrada em minidocumentário, documentando o processo criativo e técnico do trio.
Nova formação e direção musical
Com a consolidação do formato em trio, a banda passou a investir em arranjos mais enxutos e integração de elementos da MPB, rock e ritmos brasileiros, mantendo a abordagem temática de caráter social e político.
O disco inclui parcerias nas letras, como “Sem paz, sem chão”, composta com Neno Moura, e “Bicho acuado”, com versos de Jean Mafra. A faixa bônus “Brasil Criança”, lançada anteriormente em 2023, também integra o repertório.
A proposta estética busca ampliar o diálogo com sonoridades dos anos 1970, incorporando ambiências sonoras e instrumentos adicionais, sem alterar a identidade do grupo.
Participações especiais e produção
O álbum contou com participação do músico Donatinho, que gravou piano elétrico e sintetizadores na faixa “Enfim, renascerá”. Também participaram Hemerson Calandrini, responsável pelos arranjos de metais, Rafael Almir da Silva (trompete) e Alexandre Damaria (pandeiro).
A faixa-título teve colaboração do ex-integrante Diego Stecanela. As gravações ocorreram no Bárbaro Estúdio, em Florianópolis, com mixagem e masterização realizadas em Setúbal, Portugal, por Alexei Leão.
O conjunto técnico foi estruturado para garantir unidade sonora entre as faixas, equilibrando instrumentos elétricos, percussivos e acústicos.
Versão de Belchior integra repertório
Entre as músicas do álbum, a única que não traz autoria de Peixoto é “Alucinação”, composição de Belchior (1946–2017). A escolha da canção foi associada à afinidade do grupo com o repertório do artista e à aproximação estética entre o disco e a obra original.
Segundo a banda, a regravação foi autorizada pelos herdeiros do compositor. A inclusão também coincide com os 50 anos de lançamento do álbum “Alucinação”, celebrados em 2026.
A releitura passou a integrar apresentações ao vivo do grupo, que já havia realizado tributos ao disco em shows regionais.
Trajetória e continuidade
“Pelas Ruas das Américas” sucede o álbum “Interlúdio na beira do caos” (2022) e amplia a presença de referências nacionais na produção do grupo. O lançamento consolida uma fase de transição artística, com maior ênfase em letras autorais e colaborações externas.
A estratégia de divulgação inclui lançamentos digitais, apresentações ao vivo e conteúdos audiovisuais sobre os bastidores das gravações. O repertório deve compor a base dos próximos shows da banda.
Com o novo trabalho, o trio busca ampliar o alcance do público e manter a continuidade da produção independente no cenário musical brasileiro.










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