O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (24/02/2026), durante o discurso do Estado da União no Congresso dos Estados Unidos, que o Irã desenvolve mísseis com potencial de alcance ao território norte-americano. A fala ocorreu em meio a queda nos índices de aprovação, tensão política interna e negociações diplomáticas previstas para Genebra.
O pronunciamento durou uma hora e quarenta e oito minutos, sendo descrito como o mais longo desde o início do registro oficial, em 1964. O evento foi marcado por manifestações de parlamentares, embates com democratas e defesa de medidas nas áreas de segurança, economia e política externa.
Trump declarou que ações militares dos EUA teriam atingido o programa nuclear iraniano e reforçou que o país não pode desenvolver armas atômicas. Segundo ele, Teerã já possui mísseis capazes de ameaçar bases norte-americanas no exterior e trabalha em sistemas de maior alcance.
Acusações sobre mísseis e programa nuclear
Durante o discurso, o presidente afirmou que o Irã mantém “ambições nucleares” e avança no desenvolvimento de mísseis balísticos. Ele indicou que o governo norte-americano pretende impedir qualquer avanço que resulte na aquisição de armamento nuclear.
As declarações ocorreram dois dias antes de nova rodada de negociações diplomáticas entre representantes dos dois países. Trump afirmou preferir solução por via diplomática, mas não descartou outras medidas.
Em resposta, autoridades iranianas negaram as acusações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores classificou as falas como “mentiras”, reiterando que o programa nuclear tem finalidade civil e está amparado por tratados internacionais.
Aprovação em queda e foco em temas domésticos
Pesquisas divulgadas nos EUA apontam desaprovação próxima de 60% ao governo, cenário que preocupa aliados do presidente às vésperas das eleições legislativas. O discurso buscou reforçar apoio político e transmitir controle da agenda.
Na área de imigração, Trump destacou deportações e endurecimento de regras contra imigrantes em situação irregular, defendendo projetos que ampliam detenções administrativas. Ele classificou a fronteira como a mais segura da história recente.
Na economia, o presidente afirmou que preços de alimentos, aluguel e veículos estariam em queda. Indicadores oficiais, contudo, registram oscilações mensais, com aumento recente nos custos de alimentação. Trump também mencionou recorde de 159 milhões de pessoas empregadas, número associado ao crescimento populacional.
Protestos e tensão no plenário
O início da sessão foi marcado por manifestações de parlamentares. O deputado Al Green exibiu cartaz com mensagem contra declarações consideradas racistas, sendo retirado do plenário.
Houve ainda troca de provocações entre o presidente e integrantes da bancada democrata, incluindo referências à ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi. Apesar dos episódios, o discurso transcorreu sem interrupções prolongadas.
O ambiente refletiu a polarização política no país, com parte dos democratas boicotando a sessão e promovendo agendas paralelas.
Venezuela, convidados e política migratória
Na política externa regional, Trump mencionou a Venezuela e celebrou a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, classificando a ação como operação de segurança nacional. O opositor Enrique Márquez foi citado como convidado.
Entre os presentes estava o estudante brasileiro Marcelo Gomes da Silva, que havia sido detido por questões migratórias e liberado posteriormente. Parlamentares utilizaram o caso para discutir impactos humanos das políticas de deportação.
O presidente também criticou estados governados por democratas e citou suspeitas de fraudes eleitorais, o que gerou reação de congressistas.
Resposta do Irã e cenário regional
Autoridades iranianas contestaram as acusações norte-americanas e reafirmaram compromisso com negociações diplomáticas. O governo informou que aceita diálogo, desde que respeitados interesses nacionais.
Teerã também registrou manifestações estudantis em universidades da capital e de outras cidades, com protestos contra o governo e presença de forças de segurança. Relatos indicam confrontos e restrições de acesso a campi.
Paralelamente, forças iranianas iniciaram exercícios militares no Golfo, enquanto Washington reforçou presença regional. As movimentações elevam o nível de tensão às vésperas das negociações em Genebra.
*Com informações da RFI.








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