Na quarta-feira (11/02/2026), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu em Washington o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em encontro discreto no Salão Oval da Casa Branca. Esta é a sétima reunião entre os líderes desde o retorno de Trump à presidência. Netanyahu defendeu pressão máxima sobre o Irã, incluindo limitação de mísseis balísticos e fim do apoio a grupos armados na região, além de considerar a ação militar como medida definitiva contra o programa nuclear iraniano.
O premiê israelense participou previamente de reuniões com Steve Witkoff, enviado do presidente americano, e Jared Kushner, genro de Trump, para avaliar o primeiro ciclo de negociações com o Irã, iniciado em 6 de fevereiro em Omã. Netanyahu reafirmou o compromisso de Israel com o “Board of Peace”, iniciativa multilateral de Trump, destinada a resolver conflitos armados na região e no mundo, cuja cerimônia oficial está prevista para 19 de fevereiro.
O presidente Trump declarou à imprensa que prefere alcançar um acordo com Teerã, mas ressaltou que os iranianos seriam “idiotas” se recusassem. Trump também indicou a possibilidade de reforçar a presença militar com um segundo porta-aviões na região, para pressionar o Irã. Analistas destacam que os EUA buscam incluir controle de mísseis e apoio a grupos armados nas negociações, mas consideram improvável a aceitação completa pelo Irã.
Negociações com o Irã e posição de Teerã
O Irã reafirmou sua recusa em interromper o enriquecimento de urânio, limitando as discussões à questão nuclear. Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano, acusou Israel de tentar sabotar as negociações e alertou que ataques americanos provocariam respostas militares regionais. Washington, entretanto, mantém como prioridade também a restrição do alcance de mísseis iranianos e o apoio a grupos como Hezbollah, Hamas e Huthis.
As conversas buscam manter canais diplomáticos abertos, mas as divergências permanecem significativas, refletindo o contexto tenso entre Teerã, Washington e Tel Aviv. O encontro de Netanyahu antecipou sua participação no “Board of Peace”, visando influenciar as decisões de Trump antes da reunião com líderes árabes na semana seguinte.
A estratégia israelense e americana ocorre em paralelo ao fortalecimento militar em outras regiões estratégicas, como o Ártico, onde a Otan lançou a missão “Arctic Sentry” para coordenar operações de defesa e segurança na Groenlândia e no Grande Norte. A Rússia reagiu anunciando contramedidas militares caso haja aumento da presença ocidental.
Segurança no Ártico e coordenação da Otan
A missão Arctic Sentry reunirá sob um comando central exercícios já existentes, como o “Arctic Endurance” da Dinamarca e o “Cold Response” da Noruega, visando garantir estabilidade no Ártico. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, destacou a importância de consolidar operações e reforçar a presença permanente da Aliança na região. A iniciativa responde ao aumento do interesse da Rússia e da China na região ártica e à crise gerada por declarações anteriores de Trump sobre a Groenlândia.
União Europeia e integração estratégica
Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu maior integração da União Europeia para enfrentar desafios globais e reduzir a dependência de EUA e China. Em Antuérpia, Bélgica, Macron propôs o uso de eurobônus e cooperações reforçadas para financiar defesa, tecnologia e competitividade, argumentando que o bloco deve agir com urgência para evitar fragmentação e manter autonomia estratégica. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou-se favorável ao uso de mecanismos excepcionais, caso necessário.
O discurso de Macron reforça a necessidade de medidas estruturais emergenciais, especialmente em defesa, segurança espacial, inteligência artificial e tecnologias limpas, e aponta para uma União Europeia mais integrada e estratégica frente a Washington e Pequim.
*Com informações da RFI.










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