Ucrânia e Rússia voltaram a negociar nesta quinta-feira (05/02/2026), em Abu Dhabi, com mediação dos Estados Unidos, e concordaram com uma nova troca de 314 prisioneiros de guerra, segundo declarações de representantes americanos. O encontro integra uma série de iniciativas diplomáticas voltadas à redução do conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022.
De acordo com o emissário dos EUA, Steve Witkoff, a rodada foi considerada produtiva, mas ainda sem definição de um acordo mais amplo. A troca de detidos foi confirmada como um dos poucos consensos alcançados.
As delegações participaram de consultas trilaterais, reuniões técnicas e alinhamento de posições, conforme informou o negociador ucraniano Rustem Umerov.
Troca de prisioneiros e mediação americana
Witkoff anunciou que 314 prisioneiros serão libertados por ambas as partes, resultado direto das tratativas conduzidas com intermediação de Washington. A medida repete iniciativas anteriores, nas quais trocas humanitárias ocorreram mesmo sem avanços políticos estruturais.
Autoridades ucranianas relataram que as discussões do dia anterior foram substanciais, mas com progresso limitado. Já o negociador russo Kirill Dmitriev declarou que houve avanços e avaliou que as conversas seguem em direção positiva.
Os Estados Unidos mantêm o papel de mediadores centrais, enquanto aliados europeus permanecem fora do formato atual de negociação.
Exigências territoriais e cenário militar
O governo russo reiterou que condiciona um possível congelamento da linha de frente à cessão integral do Donbass, região industrial estratégica no leste da Ucrânia. Kiev rejeita a proposta e afirma que não abrirá mão dos territórios sob disputa.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a operação militar continuará enquanto não houver mudanças na posição ucraniana. Em entrevista recente, o presidente Volodymyr Zelensky declarou que o país enfrenta elevado número de baixas, incluindo 55 mil militares mortos, além de desaparecidos.
Apesar das negociações, ataques a infraestruturas ferroviárias e de energia prosseguem, segundo autoridades ucranianas, com relatos de lançamentos de mísseis e drones contra cidades e instalações estratégicas.
Reações internacionais e movimentação diplomática
Enquanto o diálogo ocorre nos Emirados Árabes Unidos, líderes globais ampliaram contatos diplomáticos. O presidente chinês Xi Jinping conversou com Vladimir Putin e manifestou apoio às tratativas trilaterais, defendendo coordenação estratégica entre Pequim e Moscou.
Em seguida, Xi também falou com Donald Trump, destacando a necessidade de “respeito mútuo” nas relações sino-americanas e pedindo cautela dos EUA em temas como Taiwan. Trump classificou o diálogo bilateral como positivo e afirmou discutir comércio, segurança e o conflito no Leste Europeu.
Especialistas avaliam que a articulação entre China, Rússia e Estados Unidos reforça o peso geopolítico das negociações, embora ainda não haja consenso sobre um cessar-fogo definitivo.
*Com informações da RFI.









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