A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) informou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram o lançamento de uma substância química classificada como desconhecida em áreas próximas à Linha Azul, zona que delimita a fronteira entre Israel e Líbano. A missão afirmou que a operação provocou suspensão temporária de atividades operacionais e impactou a atuação dos observadores de paz.
De acordo com comunicado divulgado, as ações ocorreram no domingo anterior e resultaram em atraso de aproximadamente nove horas nas atividades de monitoramento conduzidas pela força internacional. A Unifil declarou ter sido previamente informada pelas IDF sobre a realização de uma operação aérea na região.
Segundo a missão, as autoridades israelenses comunicaram que lançariam uma substância descrita como “não tóxica” e recomendaram que os militares da ONU permanecessem em locais seguros, o que levou ao cancelamento de diversas tarefas previstas na área de atuação.
Operação aérea e restrições às patrulhas
A Unifil registrou que, em razão da operação, cerca de um terço da extensão da Linha Azul ficou temporariamente inacessível para patrulhamento e observação. As atividades de rotina, incluindo inspeções e deslocamentos terrestres, foram interrompidas por questões de segurança operacional.
A força de paz acrescentou que apenas após a liberação do espaço aéreo e a normalização das condições foi possível retomar os trabalhos regulares. Durante o período, parte das missões programadas foi adiada ou cancelada.
Ainda conforme o comunicado, mais de dez ações operacionais deixaram de ser executadas, afetando o cronograma de monitoramento e apoio logístico prestado às autoridades locais.
Coleta de amostras e avaliação de riscos
Após o episódio, observadores da Unifil prestaram apoio ao Exército libanês na coleta de amostras do material lançado, com o objetivo de realizar testes laboratoriais de toxicidade. O procedimento busca identificar a composição da substância e possíveis impactos à saúde humana e ao meio ambiente.
A missão declarou considerar a atividade “inaceitável” e afirmou que a ação contraria disposições da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que estabelece regras para cessar-fogo, segurança e estabilidade na área de fronteira.
O comunicado também destacou que a operação pode ter limitado a capacidade de atuação dos boinas-azuis e representado risco potencial para militares e civis residentes nas proximidades.
Possíveis impactos ambientais e ausência de posicionamento
Entre as preocupações apresentadas pela Unifil estão os efeitos da substância sobre áreas agrícolas, o que poderia comprometer o uso da terra e a retomada de atividades econômicas por parte das comunidades locais.
A força de paz indicou que eventuais danos ambientais podem afetar o retorno de moradores deslocados e prejudicar meios de subsistência a longo prazo, dependendo dos resultados das análises técnicas.
Até o momento da divulgação do comunicado, não havia comentários oficiais das IDF sobre o incidente ou esclarecimentos adicionais sobre a natureza do material empregado na operação aérea.
O episódio ocorre em uma área sensível do ponto de vista geopolítico, onde a presença da missão da ONU tem como objetivo monitorar o cessar-fogo, reduzir tensões e apoiar a estabilidade regional.
*Com informações da ONU News.











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