A Câmara Setorial do Citrus promoveu sexta-feira (27/02/2026) a primeira reunião de 2026 para discutir ações de prevenção ao greening e medidas para melhorar a comercialização da produção de laranja e outras frutas cítricas na Bahia. O encontro ocorreu em formato híbrido e foi coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), com participação de gestores públicos, produtores, associações e instituições de pesquisa.
A pauta incluiu análise do cenário da citricultura baiana, perspectivas de mercado, controle fitossanitário e propostas para escoamento da produção. Técnicos destacaram a necessidade de articulação entre governo e cadeia produtiva para ampliar competitividade e reduzir riscos sanitários.
Também foram debatidas alternativas para fortalecer a renda dos produtores, incluindo políticas de apoio à comercialização e organização de dados atualizados sobre a safra.
Prevenção ao greening e políticas fitossanitárias
Durante a reunião, representantes reforçaram a importância de manter a Bahia livre do greening, doença que afeta pomares de citrus em diversas regiões do país. Entre as medidas indicadas estão controle de mudas, fiscalização fitossanitária e orientação técnica aos agricultores.
O presidente da Câmara Setorial do Citrus, Gabriel Soares, destacou a necessidade de produção de mudas com garantia sanitária e recomendou evitar o plantio de murta, considerada hospedeira do psilídeo transmissor da praga.
O chefe de Gabinete da Seagri, Vivaldo Góis, afirmou que o governo estadual pretende manter políticas públicas de apoio técnico e ampliar ações de defesa agropecuária, com foco na sustentabilidade da citricultura.
Comercialização, preço mínimo e mercado interno
Outro ponto central foi o escoamento da produção de laranja, especialmente no mercado interno. Entre as propostas discutidas estão a valorização do preço mínimo do produto, parcerias institucionais para intermediação de vendas e incentivo ao consumo nacional.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi citada como possível parceira para estruturar mecanismos de compra e comercialização junto a empresas, buscando reduzir oscilações de preço.
Segundo dados apresentados, mais de 80% do suco de laranja produzido no Brasil é exportado, o que reforça a necessidade de estratégias para ampliar a absorção do mercado doméstico e diversificar canais de venda.
Grupo de trabalho e dados atualizados
Os participantes também propuseram a criação de um grupo de trabalho para atualizar informações sobre a produção de citrus, reunindo instituições técnicas e de estatística. O objetivo é subsidiar políticas públicas e planejamento de safra.
Devem integrar o levantamento órgãos como a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), a Conab, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A intenção é consolidar estimativas atualizadas de área plantada, produtividade e volume colhido, contribuindo para medidas como definição de preço mínimo e planejamento logístico.
Produção e próximos encontros
Para 2026, a expectativa é de manutenção do crescimento da produção, resultado de investimentos em tecnologia, manejo e aumento de produtividade por hectare. Técnicos apontam que a modernização das práticas agrícolas tem ampliado o rendimento das lavouras.
Dados do IBGE indicam que a Bahia lidera a produção de citrus no Nordeste e ocupa a quarta posição no ranking nacional, com 707,5 mil toneladas de laranja, limão e tangerina em 2024. As principais áreas produtoras concentram-se no Litoral Norte, Recôncavo e parte do Oeste.
O próximo encontro da Câmara está previsto para 24 de março, dentro da programação do Fórum Estadual dos Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri), com continuidade das discussões técnicas.








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