EUA já gastaram US$ 11 bilhões na operação contra o Irã e avaliam novos recursos enquanto preços do petróleo pressionam mercado global

Os Estados Unidos já gastaram cerca de US$ 11 bilhões (R$ 57,7 bilhões) na operação militar contra o Irã, informou nesta quinta-feira (12/03/2026) o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, em entrevista ao canal Sky News. O valor corresponde aos custos acumulados desde o início da ofensiva militar conduzida por Washington em conjunto com aliados no Oriente Médio.

Segundo Bessent, apesar da dimensão financeira da operação, não há avaliação dentro do governo de que a guerra tenha se tornado financeiramente inviável. Questionado sobre a possibilidade de comunicar ao presidente Donald Trump que o conflito estaria ultrapassando limites orçamentários, o secretário respondeu que “absolutamente não” considera essa hipótese.

A escalada militar ocorre em meio a tensões regionais e impactos no mercado internacional de energia, incluindo aumento do preço do petróleo e medidas emergenciais adotadas por governos e organizações internacionais para tentar estabilizar a oferta global.

Custos da operação militar dos EUA no Oriente Médio

Reportagem divulgada no início da semana pelo jornal The Telegraph indica que os custos da operação militar norte-americana podem chegar a US$ 100 bilhões (R$ 510 bilhões) caso o conflito se prolongue. Se confirmado, o valor poderá tornar a campanha a maior operação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio desde a Guerra do Golfo.

De acordo com estimativas iniciais, as primeiras 100 horas da operação militar denominada “Fúria Épica” custaram cerca de US$ 3,7 bilhões, o equivalente a aproximadamente US$ 891 milhões por dia. O cálculo considera despesas operacionais diretas e não inclui diversos fatores adicionais relacionados à logística e manutenção de equipamentos militares.

Diante desse cenário, autoridades da Casa Branca avaliam solicitar ao Congresso norte-americano novos recursos, que podem alcançar dezenas de bilhões de dólares, com o objetivo de sustentar a continuidade das operações no Oriente Médio.

Impacto político e apoio da opinião pública

O avanço da operação militar também tem reflexos no cenário político interno dos Estados Unidos. Pesquisas de opinião indicam que 27% dos norte-americanos aprovam a ofensiva militar, enquanto 43% se declaram contrários à intervenção.

Os dados indicam que a guerra passou a influenciar o debate público sobre gastos federais, principalmente diante do crescimento das despesas militares e do impacto econômico do conflito internacional.

A avaliação do governo, entretanto, permanece focada na continuidade das operações, enquanto autoridades federais analisam medidas para conter os efeitos da guerra sobre os mercados globais de energia.

Suspensão temporária de sanções ao petróleo russo

Em meio à elevação dos preços do petróleo, o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão temporária de algumas sanções aplicadas ao petróleo russo. A decisão permite que países comprem cargas de petróleo russo que já estão em trânsito marítimo.

Segundo Scott Bessent, a medida tem caráter limitado e temporário, aplicando-se exclusivamente a petróleo já carregado em navios e atualmente retido no mar. O objetivo declarado da decisão é evitar uma escalada adicional nos preços internacionais de energia durante o conflito no Oriente Médio.

Autoridades norte-americanas afirmam que a iniciativa integra um conjunto de ações adotadas pelo presidente Donald Trump para promover estabilidade nos mercados energéticos globais, diante da volatilidade provocada pela guerra envolvendo o Irã.

Impacto da decisão sobre o petróleo russo

Além da flexibilização temporária das sanções, os Estados Unidos liberaram parte de suas reservas estratégicas de petróleo, enquanto a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação progressiva de 172 milhões de barris de petróleo bruto para ampliar a oferta global.

Segundo Kirill Dmitriev, chefe do Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI) e representante do governo russo, a suspensão das sanções norte-americanas pode afetar cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo atualmente em trânsito.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos autorizou que essas cargas de petróleo e derivados russos sejam comercializadas até 11/04/2026, medida considerada temporária dentro do atual cenário de crise energética internacional.

Avaliação sobre o mercado global de energia

Dmitriev afirmou que a decisão demonstra que o mercado global de energia enfrenta dificuldades para manter estabilidade sem a oferta de combustíveis fósseis da Rússia, especialmente diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Ele acrescentou que o relaxamento das restrições pode ser ampliado futuramente, dependendo da evolução da crise energética internacional e da posição de governos europeus que ainda mantêm sanções ao setor energético russo.

A flexibilização das sanções ocorre em um momento em que o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel pressiona o mercado global de petróleo, levando governos e organismos internacionais a adotar medidas emergenciais para evitar novas oscilações nos preços da energia.

*Com informações da Sputnik News.


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