A Bahia Pesca iniciou a produção consorciada de tilápia e camarão em tanque abastecido com composto salino no povoado de Italegre, no município de Baixa Grande. O sistema reaproveita o rejeito da água do dessalinizador instalado pelo Programa Água Doce (PAD), convertendo um resíduo ambiental em unidade produtiva de aquicultura voltada à geração de renda e alimento.
A iniciativa integra o projeto Pesque PAD, desenvolvido em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia (SEMA), com foco em comunidades em situação de vulnerabilidade social. A proposta é utilizar estruturas já existentes para viabilizar novas cadeias produtivas no semiárido.
O modelo também conta com a participação da Associação de Mulheres Produtoras de Italegre e apoio da secretaria municipal de Agricultura, responsável pelo suporte logístico local.
Reaproveitamento do composto salino
O tanque, anteriormente destinado apenas ao armazenamento do composto salino proveniente do processo de dessalinização, passou a funcionar como ambiente de criação de organismos aquáticos adaptados à salinidade. A mudança permitiu transformar o rejeito em insumo produtivo.
O sistema consorciado prevê a criação simultânea de tilápias e camarões, com manejo integrado. A ração é destinada exclusivamente aos peixes, enquanto os camarões se alimentam de resíduos orgânicos gerados no tanque.
De acordo com a equipe técnica, o método reduz custos operacionais, otimiza nutrientes e diminui desperdícios, favorecendo a sustentabilidade do cultivo.
Implantação e números do projeto
Segundo o gerente de projetos da Bahia Pesca, Júnior Sanches, foram inseridos no sistema 12 mil pós-larvas de camarão e 5 mil alevinos de tilápia há dois meses. Os lotes estão em fase de desenvolvimento.
Após a primeira biometria, a equipe avalia o crescimento dos animais e projeta a despesca para o início de junho, quando parte da produção deverá ser comercializada.
O projeto-piloto do Pesque PAD foi implantado inicialmente em Riachão do Jacuípe, na comunidade de Mandassaia, em 2024, e agora avança para novos municípios.
Impacto comunitário e diversificação econômica
A iniciativa foi viabilizada após seleção em edital público da Bahia Pesca em 2023. A comunidade precisou adequar a infraestrutura local, incluindo a instalação de energia elétrica para o funcionamento de aeradores responsáveis pela oxigenação da água.
Tradicionalmente voltada à produção de leite e gado de corte, a localidade passa a contar com nova fonte de renda baseada na aquicultura, ampliando a diversificação produtiva.
Integrantes da associação informaram que a comercialização do primeiro lote deverá financiar a compra de ração, novos alevinos e a continuidade do ciclo produtivo, fortalecendo a autonomia econômica do grupo.








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