O Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS), localizado em Ilhéus (BA), ultrapassou 6 mil atendimentos a pacientes indígenas e registrou mais de 500 nascimentos de bebês de povos originários desde o início das operações. A unidade é a única na Bahia habilitada pelo Ministério da Saúde para atendimento específico a populações indígenas.
Inaugurado em dezembro de 2021, o hospital integra a estrutura da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e é administrado pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS). A habilitação federal foi concedida em 2024, consolidando o serviço como referência na rede estadual.
Os atendimentos envolvem principalmente pacientes das etnias Tupinambá, Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe, com foco em assistência obstétrica, pediátrica e neonatal dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Estrutura e atendimento especializado a povos indígenas
O HMIJS atua como maternidade 100% SUS da região sul da Bahia e já realizou mais de 13 mil partos desde a inauguração. Desse total, mais de 500 foram de crianças indígenas, segundo dados da unidade.
O hospital conta com 105 leitos, incluindo unidades de UTI neonatal e pediátrica, além de serviços de obstetrícia para partos de risco habitual e alto risco. A estrutura é voltada para atendimento regional e referência em casos de média e alta complexidade.
De acordo com a direção da unidade, o modelo de atendimento considera protocolos clínicos associados ao acolhimento cultural de povos originários.
Política de saúde e atendimento intercultural
A diretora-geral do hospital, Renata Lordêlo, afirma que os resultados estão relacionados a uma política pública voltada à ampliação do acesso e ao atendimento especializado. Segundo ela, o serviço busca integrar assistência técnica e aspectos culturais no cuidado aos pacientes indígenas.
A gestão destaca que o atendimento considera práticas de acolhimento intercultural, com adaptação de rotinas hospitalares para reduzir barreiras no acesso aos serviços de saúde.
A unidade também integra a rede de atenção materno-infantil do estado, com fluxo regulado pelo SUS para gestantes indígenas em diferentes municípios baianos.
População indígena e cobertura na Bahia
A Bahia concentra 33 povos indígenas distribuídos em 245 comunidades, segundo dados oficiais. O estado possui cerca de 229.443 pessoas indígenas declaradas, o que representa aproximadamente 13,5% da população indígena do Brasil, sendo o terceiro maior contingente do país.
Nesse contexto, o HMIJS é apontado como uma das principais unidades de referência para atendimento hospitalar especializado a essas populações dentro do SUS.
A habilitação federal da unidade em 2024 formalizou o papel do hospital na rede de atenção à saúde indígena.
Resultados e indicadores da unidade hospitalar
Desde o início das atividades, o hospital registra crescimento no número de atendimentos e partos realizados. Os dados incluem assistência obstétrica, pediátrica e de urgência, com foco em gestantes e recém-nascidos.
A unidade também atua na redução de deslocamentos de pacientes indígenas para outras regiões do estado, concentrando parte da demanda regional de saúde materno-infantil.
O modelo de funcionamento é integrado ao SUS e envolve articulação com municípios da região sul da Bahia.








Deixe um comentário