O Brasil ampliou as áreas de manejo sustentável de florestas entre 2020 e 2025, segundo dados do Relatório Global de Florestas de 2026, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na segunda-feira (11/05/2026). O documento foi apresentado durante a abertura do Fórum sobre Florestas, realizado na sede da ONU, e aponta avanços brasileiros na gestão florestal em meio à redução das áreas verdes globais.
O relatório informa que a área florestal mundial diminuiu mais de 40 milhões de hectares entre 2015 e 2025, enquanto o Brasil ampliou concessões federais e expandiu territórios sob manejo sustentável de longo prazo. O país ocupa a segunda posição entre as nações com maior cobertura florestal do planeta e concentra cerca de 12% das áreas verdes globais.
Segundo o estudo, o avanço brasileiro ocorreu por meio de políticas de concessão florestal, rastreabilidade da produção madeireira e fortalecimento de mecanismos de conservação ambiental.
Brasil amplia concessões florestais e manejo sustentável
De acordo com a ONU, o Brasil expandiu as áreas de florestas sob concessões federais de 1,05 milhão para 1,59 milhão de hectares entre 2020 e 2025.
O relatório destaca que houve crescimento das áreas submetidas a planos de manejo sustentável de longo prazo, estratégia voltada à exploração controlada dos recursos naturais com preservação da biodiversidade.
A política de manejo sustentável resultou na produção de mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com origem rastreável e certificada, gerando receitas superiores a US$ 41,6 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 217 milhões.
O processo foi coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Segundo o relatório, as iniciativas têm como objetivo assegurar o uso racional dos recursos florestais, ampliar a conservação ambiental e gerar benefícios econômicos para comunidades locais.
ONU alerta para redução das florestas no mundo
Apesar do avanço registrado no Brasil, o Relatório Global de Florestas de 2026 aponta que a perda de cobertura vegetal continua em diferentes regiões do planeta.
O documento informa que o financiamento internacional voltado à gestão florestal sustentável permanece abaixo das necessidades estimadas para proteção ambiental e recuperação de áreas degradadas.
A ONU afirma que fatores como expansão do uso da terra, impactos das mudanças climáticas, incêndios florestais, pragas e atividades ilegais continuam ameaçando ecossistemas florestais em diversos países.
O relatório também destaca a necessidade de fortalecimento institucional, ampliação da cooperação internacional e desenvolvimento de mecanismos inovadores de financiamento ambiental.
Segundo a organização, a combinação entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico sustentável será determinante para reduzir o avanço do desmatamento global.
Fundo lançado pelo Brasil busca captar US$ 125 bilhões
O documento também menciona o Fundo “Florestas Tropicais para Sempre” (TFF), lançado pelo Brasil durante as articulações relacionadas à COP30.
A iniciativa prevê a captação de US$ 125 bilhões junto a fundos soberanos e investidores institucionais, com foco em financiamento de longo prazo para proteção florestal.
Segundo o relatório, caso o fundo alcance capitalização integral, o mecanismo poderá apoiar a preservação de mais de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais distribuídas em mais de 70 países em desenvolvimento.
A ONU destaca que modelos de financiamento contínuo são considerados essenciais para garantir estabilidade financeira a projetos ambientais e ampliar ações de conservação.
O relatório afirma ainda que a previsibilidade de recursos pode fortalecer políticas públicas ligadas à preservação ambiental e ao manejo sustentável das florestas tropicais.
Manejo sustentável ganha importância na agenda climática
O avanço das políticas de manejo sustentável no Brasil ocorre em um contexto de ampliação das discussões globais sobre clima, biodiversidade e uso responsável dos recursos naturais.
Segundo a ONU, o manejo florestal sustentável passou a ser tratado como ferramenta estratégica para preservação ambiental, redução de emissões e desenvolvimento econômico de comunidades locais.
O relatório também aponta que países com grandes áreas florestais terão papel central nas negociações climáticas internacionais e nos mecanismos de financiamento ambiental nos próximos anos.
A organização defende maior integração entre governos, setor privado, investidores e instituições multilaterais para ampliar a proteção das florestas e reduzir os impactos ambientais associados ao desmatamento e à degradação ambiental.
*Com informações da ONU News.








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