O governo de Cuba reagiu às novas acusações apresentadas pelos Estados Unidos contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, afirmando que as medidas podem servir de justificativa para uma eventual ação militar de Washington contra o país caribenho. A declaração foi feita nesta quarta-feira (20/05/2026) pelo vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossio.
Durante entrevista ao programa estatal “Mesa Redonda”, o diplomata classificou as acusações como injustas e afirmou que os Estados Unidos possuem histórico de utilizar acusações semelhantes para justificar intervenções contra outros países.
“Essa acusação representa uma ameaça adicional, dada a conhecida prática obscura dos EUA de usar acusações como essa para justificar ações militares contra Estados soberanos”, declarou Fernández de Cossio.
Cuba defende atuação no caso das aeronaves abatidas em 1996
As acusações dos Estados Unidos estão relacionadas ao episódio ocorrido em 1996, quando caças cubanos derrubaram duas aeronaves da organização Brothers to the Rescue, fundada por exilados cubanos em Miami. Quatro pessoas morreram na ação.
Na época, as Forças Armadas de Cuba eram comandadas por Raúl Castro. O governo cubano alegou que as aeronaves violaram o espaço aéreo da ilha, justificando a operação militar.
Fernández de Cossio afirmou que Havana agiu em defesa da soberania nacional e declarou que Cuba teria solicitado diversas vezes providências ao governo norte-americano antes do incidente.
EUA formalizam acusações contra Raúl Castro
As acusações foram confirmadas em 20/05/2026 pelo procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche. Segundo ele, Raúl Castro responde por suposta conspiração para assassinar cidadãos norte-americanos.
O representante do governo norte-americano afirmou ainda que os investigados enfrentam acusações adicionais relacionadas à destruição das aeronaves e homicídio.
Segundo autoridades dos EUA, trata-se do primeiro caso desse tipo direcionado à cúpula do governo cubano em quase 70 anos.
Investigação internacional diverge sobre local do ataque
Embora Cuba sustente que as aeronaves invadiram seu espaço aéreo, uma investigação conduzida pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) concluiu que o ataque ocorreu em território neutro.
O episódio permanece como um dos principais pontos de tensão diplomática entre Havana e Washington desde a década de 1990.
As novas acusações surgem em um contexto de aumento da pressão política e econômica dos Estados Unidos sobre Cuba após medidas anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump no início de 2026.
Novas sanções ampliam crise econômica e energética em Cuba
Em 29 de janeiro de 2026, Donald Trump assinou uma ordem executiva autorizando tarifas sobre importações de países que fornecem petróleo a Cuba. O governo norte-americano também declarou estado de emergência nacional, alegando ameaça à segurança dos Estados Unidos.
Segundo autoridades cubanas e russas, as medidas agravaram a crise de combustíveis na ilha, afetando setores como geração de energia, transporte, saúde, educação e produção de alimentos.
A representante do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou as sanções e declarou que as ações norte-americanas refletem “intolerância a qualquer forma de dissidência”.
Rússia reforça apoio político e econômico a Cuba
Maria Zakharova afirmou que a Rússia manterá apoio político e econômico ao governo cubano diante das restrições impostas pelos Estados Unidos.
Segundo a diplomata, Moscou já informou Havana sobre os mecanismos de assistência e continuará colaborando para reduzir os impactos da crise energética enfrentada pelo país caribenho.
A Rússia já havia enviado anteriormente cerca de 100 mil toneladas de petróleo como ajuda humanitária para Cuba, em meio à escassez de combustíveis registrada após o endurecimento das sanções norte-americanas.
Rússia amplia críticas ao Ocidente durante coletiva
Durante a mesma coletiva de imprensa, Zakharova também criticou os Estados Unidos e aliados ocidentais em relação à guerra na Ucrânia e às sanções econômicas impostas contra Moscou.
A diplomata afirmou que existem mais de 40 biolaboratórios na Ucrânia ligados a atividades financiadas pelos Estados Unidos e acusou autoridades ucranianas de apoiar ações terroristas.
Ela também condenou o congelamento de ativos russos por países da União Europeia e do G7, classificando a medida como “saque” e “financiamento indireto do terrorismo”.
*Com informações da Sputnik News.








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