Andy Burnham assume governo do Reino Unido, propõe descentralização do poder e sinaliza postura independente em relação aos Estados Unidos

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, iniciou seu mandato com uma agenda voltada à descentralização administrativa, à redução do custo de vida e ao fortalecimento da economia britânica. Na política externa, o novo chefe de governo afirmou que manterá uma relação de cooperação com os Estados Unidos, mas indicou que poderá divergir publicamente do presidente Donald Trump quando considerar necessário para defender os interesses do Reino Unido.

Após um período de instabilidade política marcado por sucessivas mudanças de governo, Burnham apresentou um conjunto de propostas que, segundo o novo governo, pretende promover uma das maiores transformações estruturais do país nas últimas décadas. Entre as prioridades estão a redistribuição de competências administrativas, a reindustrialização de regiões do norte da Inglaterra e políticas voltadas à redução das desigualdades regionais.

Nos primeiros dias de governo, o premiê também anunciou medidas de impacto imediato, como o congelamento das tarifas de ônibus, a isenção de impostos sobre a conta de energia elétrica e um programa destinado a oferecer moradia e assistência para cerca de 5 mil pessoas em situação de rua.

Descentralização do poder é uma das principais propostas do governo

Uma das iniciativas centrais da gestão de Andy Burnham é a descentralização parcial da administração britânica.

Conhecido politicamente como “Rei do Norte”, o primeiro-ministro passou parte da primeira semana de governo trabalhando em Manchester, onde pretende instalar, uma vez por semana, uma estrutura administrativa denominada informalmente de “Number 10 Norte”, em referência à residência oficial do premiê em Downing Street, Londres.

A proposta busca ampliar a presença do governo nacional no norte da Inglaterra e estimular políticas voltadas à reindustrialização, ao desenvolvimento econômico regional e à distribuição mais equilibrada das decisões administrativas.

Relação com Donald Trump combina diálogo e divergências

Na política externa, Burnham informou que o primeiro contato oficial após assumir o cargo foi uma ligação telefônica para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O premiê afirmou estar disposto a manter o diálogo com Washington, mas ressaltou que poderá divergir da administração norte-americana quando considerar que os interesses britânicos exigirem posicionamentos distintos.

Como parte da aproximação diplomática, Burnham convidou Trump para visitar Manchester e autorizou a utilização de bases militares britânicas no Oriente Médio pelas forças norte-americanas, medida relacionada às operações na região.

Economia, energia e defesa estão entre os principais desafios

O novo governo assume em um cenário marcado pelo aumento dos preços internacionais da energia e pelos efeitos das tensões geopolíticas sobre a economia mundial.

Além da redução do custo de vida da população, Burnham terá de conciliar investimentos em defesa, políticas sociais e a continuidade das metas relacionadas à transição energética e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Entre os integrantes do novo governo, Ed Miliband, responsável pela política externa, defende a manutenção da agenda climática e do multilateralismo, enquanto John Healey, encarregado da área econômica e orçamentária, trabalha na definição das fontes de financiamento para as novas políticas públicas.

Entre as alternativas em discussão está a ampliação da tributação sobre grandes patrimônios e altas rendas.

Brexit e imigração permanecem na agenda do governo

Na relação com a União Europeia, o governo pretende dar continuidade ao processo de aproximação iniciado pela administração anterior, preservando, contudo, os efeitos do Brexit.

Embora seja identificado como favorável ao fortalecimento do diálogo com os parceiros europeus, Burnham não sinalizou intenção de reabrir as discussões sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Na área migratória, o novo primeiro-ministro manteve a responsável pela pasta da imigração, preservando as políticas de maior controle sobre concessão de vistos de residência e fiscalização da entrada e permanência de estrangeiros sem documentação regular.

Novo governo busca ampliar apoio popular

Andy Burnham assumiu o cargo após a saída de Keir Starmer e dispõe de aproximadamente três anos até o encerramento do atual ciclo de governo, caso permaneça na liderança do Partido Trabalhista.

A oposição questiona a legitimidade política da sucessão por não ter ocorrido por meio de uma eleição geral, enquanto o novo premiê prepara um plano estratégico para os próximos dez anos, com previsão de apresentação durante o outono no hemisfério norte.

Com o Parlamento em recesso, Burnham iniciou uma agenda de viagens por diferentes regiões do Reino Unido para dialogar com a população e ampliar a divulgação de suas propostas por meio de encontros presenciais e das redes sociais.

*Com informações da RFI.


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