A cidade autônoma espanhola de Ceuta enfrenta uma crise humanitária provocada pelo aumento do fluxo migratório de pessoas oriundas do Marrocos. Nesta quarta-feira (05/08/2026), autoridades locais informaram que os centros destinados ao acolhimento de crianças e adolescentes migrantes operam com superlotação de até 2.600%, situação que elevou a pressão sobre o sistema de proteção infantil da região.
Ao mesmo tempo, Israel entra em um novo ciclo eleitoral que será concluído nas eleições previstas para outubro de 2026, em um contexto marcado pelos efeitos dos ataques de 7 de outubro de 2023, pelas operações militares ainda em andamento e pelo surgimento de novos nomes na disputa pela liderança do governo atualmente comandado por Benjamin Netanyahu.
Os dois episódios refletem desafios distintos no cenário internacional: de um lado, a pressão migratória sobre a fronteira sul da União Europeia; de outro, o debate político israelense em torno da segurança nacional, da condução da guerra e do futuro institucional do país.
Ceuta registra superlotação de abrigos e aumento de mortes na travessia
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, classificou a situação dos centros de acolhimento como “absolutamente insustentável”. Segundo o dirigente, cerca de 1.100 crianças e adolescentes marroquinos permanecem na cidade, enquanto unidades destinadas ao atendimento operam muito acima da capacidade instalada.
O representante do governo espanhol na região, Miguel Ángel Pérez Triano, informou que 528 menores já foram oficialmente identificados pela polícia e encaminhados ao sistema de acolhimento. A organização Save the Children havia alertado anteriormente que Ceuta possuía aproximadamente 100 vagas, mas atendia cerca de mil menores.
A legislação espanhola determina que outras comunidades autônomas compartilhem a responsabilidade pelo acolhimento de menores migrantes. Entretanto, a medida enfrenta resistência em algumas regiões administradas pelo Partido Popular (PP), incluindo governos formados em coalizão com o Vox.
Número de mortos aumenta durante a crise migratória
A crise humanitária também resultou em aumento do número de vítimas durante as tentativas de travessia até Ceuta.
A prefeitura da cidade informou que o total de mortos chegou a 75 pessoas, enquanto o Ministério do Interior do Marrocos confirmou 11 mortes em seu território, sendo dez por afogamento e uma por queda em área rochosa próxima à fronteira.
Entidades de direitos humanos afirmam que o número de vítimas pode ser superior aos dados oficiais. A Associação Marroquina de Direitos Humanos estima aproximadamente 130 mortos, enquanto o Observatório do Norte dos Direitos Humanos calcula que o total possa se aproximar de 100 vítimas, além de dezenas de desaparecidos.
Fluxo migratório sobrecarrega infraestrutura da cidade
Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 72 mil pessoas chegaram a Ceuta durante a semana passada, principalmente por via marítima ou terrestre.
Desse total, aproximadamente 70 mil retornaram ao território marroquino, mas milhares permaneceram na região, ampliando a pressão sobre os serviços públicos e sobre o sistema de acolhimento de menores.
As autoridades locais defendem uma atuação coordenada entre o governo espanhol e as demais comunidades autônomas para evitar o colapso definitivo da estrutura de proteção à infância.
Israel inicia campanha eleitoral em meio aos efeitos da guerra
No Oriente Médio, Israel se prepara para as eleições nacionais previstas para outubro de 2026, em um cenário político ainda influenciado pelos ataques do Hamas, ocorridos em 7 de outubro de 2023, e pelas operações militares que permanecem em andamento.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu buscará novo mandato enquanto enfrenta questionamentos relacionados à condução dos conflitos em Gaza, Líbano e Irã, além de cobranças por uma investigação oficial sobre as falhas de segurança que antecederam os ataques de 2023.
Entre os temas centrais da campanha estão a segurança nacional, o funcionamento das instituições democráticas e os rumos da política externa israelense.
Gadi Eisenkot desponta como principal nome da oposição
Entre os principais concorrentes, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, aparece como uma das lideranças em ascensão.
Pesquisas de intenção de voto indicam crescimento do partido Yashar!, liderado por Eisenkot, em comparação ao Likud, partido de Netanyahu.
Também participam da disputa o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, o líder da oposição Yair Lapid, o dirigente do bloco de esquerda Yair Golan e o líder do partido árabe Ra’am, Mansour Abbas.
Segurança, democracia e questão palestina dominam o debate eleitoral
A campanha eleitoral israelense ocorre sob forte influência da agenda de segurança.
Além da condução das guerras em andamento, os candidatos discutem temas como a eventual criação de um Estado palestino, a política de assentamentos na Cisjordânia e o futuro da Faixa de Gaza.
Gadi Eisenkot declarou considerar prematura a discussão sobre um Estado palestino no atual contexto, defendeu cautela quanto ao tema e posicionou-se contra a reconstrução de assentamentos israelenses em Gaza, mantendo, entretanto, apoio à permanência de áreas consideradas estratégicas na Cisjordânia.
*Com informações da RFI.








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