O Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes, celebrado nesta segunda-feira (31/08/2026), é marcado por uma mensagem do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em defesa do respeito aos direitos humanos, da igualdade de oportunidades e do combate ao racismo sistêmico. O documento também chama atenção para a necessidade de enfrentar os efeitos históricos do colonialismo, da escravidão e do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.
Na mensagem, Guterres reconhece as contribuições das pessoas afrodescendentes em áreas como política, governo, ciência, artes, cultura, inovação, esportes e negócios. Ao mesmo tempo, afirma que permanecem desafios para assegurar o pleno exercício dos direitos e a igualdade de oportunidades em diferentes sociedades.
O secretário-geral da ONU alerta que, em alguns países, avanços relacionados aos direitos das pessoas afrodescendentes estão sendo revertidos. Segundo ele, narrativas que minimizam experiências vividas e apagam aspectos da história dessas populações voltam a ganhar espaço, enquanto estruturas associadas ao pensamento supremacista branco permanecem relacionadas ao racismo sistêmico, à desigualdade social, ao discurso de ódio e à exclusão digital.
ONU aponta desafios relacionados ao racismo e à desigualdade
Guterres defende a continuidade das ações destinadas a reparar injustiças históricas e considera necessário reconhecer os fatos relacionados ao colonialismo e à escravidão, especialmente ao tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A mensagem também destaca a necessidade de remover barreiras que dificultam o exercício de direitos e o desenvolvimento das pessoas afrodescendentes.
O secretário-geral relaciona o enfrentamento dessas desigualdades à construção de condições para que as pessoas afrodescendentes possam exercer seus direitos e desenvolver plenamente seu potencial. A abordagem apresentada pela ONU combina o reconhecimento das contribuições dessas populações com a identificação de problemas estruturais que ainda afetam sua participação social.
A mensagem também menciona os apelos por justiça reparatória e pelo enfrentamento de erros históricos, que, segundo Guterres, vêm recebendo maior atenção. Entre os instrumentos citados está uma recente resolução da Assembleia Geral da ONU sobre a questão.
Segunda Década Internacional é citada como oportunidade
Outro ponto destacado pelo secretário-geral é a Segunda Década Internacional das Pessoas Afrodescendentes, apresentada como oportunidade para ampliar medidas voltadas à igualdade e ao enfrentamento do racismo. A iniciativa integra o contexto internacional de promoção dos direitos das populações afrodescendentes.
A ONU também reforça a importância do reconhecimento histórico como parte das ações destinadas a enfrentar desigualdades contemporâneas. Na mensagem, Guterres relaciona o legado da escravidão e do colonialismo a desafios que continuam presentes nas estruturas sociais e nas oportunidades disponíveis às pessoas afrodescendentes.
O posicionamento divulgado para o Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes propõe, portanto, a continuidade de esforços internacionais para desmantelar o racismo sistêmico, ampliar a igualdade e promover medidas de justiça e reparação.
Arca do Retorno relembra vítimas da escravidão
A mensagem da ONU também apresenta referência à Arca do Retorno, memorial permanente dedicado às vítimas da escravidão e do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, localizado na sede das Nações Unidas. O espaço foi criado para estimular a reflexão sobre o legado desse período histórico e sobre o combate ao racismo e ao preconceito.
Em 2 de setembro de 2025, a artista brasileira IZA e sua mãe visitaram o memorial na sede da ONU. A visita ocorreu no ano em que o Memorial Permanente às Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos completou dez anos.
Segundo a descrição que acompanha a imagem divulgada pela ONU, a Arca do Retorno convida os visitantes a refletirem sobre o legado do tráfico de pessoas escravizadas e a manter o compromisso de enfrentar racismo e preconceito. A fotografia é creditada à ONU/Mark Garten.
ONU defende igualdade, justiça e mudanças transformadoras
Ao concluir a mensagem, António Guterres propõe que o Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes seja utilizado para reafirmar o compromisso coletivo com o combate ao racismo sistêmico. O objetivo apontado é avançar em direção à igualdade, à justiça e a mudanças nas condições de vida das populações afrodescendentes.
A manifestação também situa o debate atual em uma perspectiva histórica, ao defender o reconhecimento das consequências duradouras da colonização, da escravidão e do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Para a ONU, o enfrentamento dessas questões permanece relacionado à promoção dos direitos humanos.
A data de 31 de agosto reúne, assim, o reconhecimento da contribuição das pessoas afrodescendentes e a discussão sobre os obstáculos que ainda limitam direitos e oportunidades. Na mensagem, a ONU defende que o combate ao racismo sistêmico seja acompanhado de igualdade, justiça reparatória e ações capazes de produzir mudanças na vida cotidiana dessas populações em diferentes partes do mundo.








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