“A Noite de Alaíde”, cinebiografia da cantora Alaíde Costa, dirigida pela cineasta baiana Liliane Mutti, permanece em cartaz pela quarta semana consecutiva na Sala de Arte, localizada no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em Salvador. O longa apresenta uma abordagem sobre a história da bossa nova a partir da trajetória da artista, reconhecida por sua contribuição para a música brasileira, propondo uma reflexão sobre a participação de nomes fundamentais na construção do movimento musical.
A produção acompanha a vida de Alaíde Costa desde seu nascimento, em 1935, no subúrbio do Rio de Janeiro, até sua atuação em diferentes momentos da música brasileira. Ao revisitar sua carreira, o filme também recupera aspectos do desenvolvimento da bossa nova e das transformações culturais ocorridas a partir do final da década de 1950.
Segundo a proposta da obra, a narrativa amplia o olhar sobre a formação do gênero musical ao destacar artistas que tiveram participação relevante em sua consolidação. O filme também aborda o debate sobre o apagamento histórico de músicos negros e a forma como determinadas trajetórias foram registradas na memória da música popular brasileira.
Relação entre Alaíde Costa e João Gilberto integra a narrativa
Entre os personagens retratados está o baiano João Gilberto, apontado como responsável por aproximar Alaíde Costa do grupo de músicos que participou da consolidação da bossa nova. A relação entre os dois artistas ocupa parte da narrativa e contextualiza o ambiente musical que marcou o surgimento do movimento.
Além de João Gilberto, o filme apresenta nomes ligados à história da música brasileira, como Johnny Alf, Baden Powell, Moacir Santos, Vinícius de Moraes e Tom Jobim. A obra destaca a participação desses músicos na construção da bossa nova e recupera episódios relacionados às suas trajetórias.
Um dos pontos abordados pelo longa é o reconhecimento de Johnny Alf, citado por Tom Jobim, que o apelidou de “Genialf”, em referência à influência exercida pelo músico na formação da linguagem musical que caracterizou o gênero.
Animação em rotoscopia marca a linguagem visual da produção
Para contar essa trajetória, a diretora Liliane Mutti utilizou a técnica de animação em rotoscopia, processo que consiste em desenhar sobre imagens previamente gravadas com atores em cena. O recurso foi escolhido para construir a narrativa visual da cinebiografia e representar diferentes períodos da história retratada.
O elenco reúne mais de 30 atores e atrizes, em sua maioria artistas negros, responsáveis por interpretar Alaíde Costa em diferentes fases da vida e outros personagens ligados à história da música brasileira.
A escolha estética busca apresentar uma leitura visual da memória da bossa nova, utilizando a animação como elemento narrativo para percorrer diferentes décadas e contextualizar acontecimentos que marcaram o desenvolvimento do gênero musical.
Filme propõe reflexão sobre memória e representatividade na música brasileira
Ao acompanhar a trajetória de Alaíde Costa, “A Noite de Alaíde” propõe uma reflexão sobre a formação da bossa nova e sobre os diferentes artistas que contribuíram para a consolidação do movimento musical. A narrativa apresenta uma perspectiva voltada à valorização de personagens cuja participação, segundo a proposta do filme, recebeu menor visibilidade ao longo do tempo.
Em cartaz na Sala de Arte do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em Salvador, o longa amplia o debate sobre a memória da música brasileira por meio de uma abordagem biográfica, histórica e artística, relacionando a trajetória de Alaíde Costa aos principais acontecimentos que marcaram a evolução da bossa nova.








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