A Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Liga F, principal competição feminina de clubes da Espanha, anunciaram nesta quarta-feira (26/08/2026) uma cooperação institucional para promover o desenvolvimento e a internacionalização do futebol feminino. O acordo foi oficializado durante o evento Dia F: Legado e Futuro do Futebol Feminino, realizado na sede da FPF, em São Paulo.
A parceria prevê iniciativas nas áreas de formação técnica e administrativa, arbitragem feminina, impacto social, cursos, pesquisas e visitas técnicas, além do intercâmbio entre profissionais das duas organizações. As entidades também poderão desenvolver projetos conjuntos voltados à estruturação da modalidade.
Segundo o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, a entidade já mantém uma parceria com La Liga, do futebol espanhol, mas identificou a necessidade de ampliar a cooperação especificamente no futebol feminino. A FPF mantém uma estrutura dedicada à modalidade desde 2016 e foi a primeira entidade nacional a criar um departamento exclusivo para o futebol feminino, além de organizar competições de base para meninas.
Liga F propõe intercâmbio de experiências
A presidente da Liga F, Beatriz Álvarez, afirmou que o acordo representa uma oportunidade de intercâmbio entre as duas instituições. Segundo ela, a Liga F não pretende apresentar seu modelo de gestão como uma estrutura a ser simplesmente reproduzida no Brasil, mas compartilhar experiências e também conhecer iniciativas desenvolvidas pela FPF.
A proposta inclui a aproximação entre profissionais responsáveis por diferentes áreas do futebol feminino, permitindo a troca de informações sobre gestão, formação, organização de competições e desenvolvimento institucional.
A cooperação também amplia a relação entre o futebol paulista e o cenário internacional. A expectativa das entidades é desenvolver ações que contribuam para a qualificação dos profissionais e para a criação de projetos voltados à expansão da modalidade.
Formiga defende expansão para além das capitais
Durante o evento, a ex-jogadora Formiga defendeu que iniciativas de desenvolvimento do futebol feminino sejam ampliadas para outros estados brasileiros e também para municípios fora das capitais. Atualmente, ela ocupa o cargo de Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte.
Formiga destacou a necessidade de ampliar o acesso das meninas à prática esportiva e à formação nas categorias de base. Para ela, a expansão deve permitir que jovens atletas tenham condições de permanecer por mais tempo em seus estados e próximas de suas famílias antes de eventualmente migrarem para outras regiões ou chegarem à Seleção Brasileira.
A ex-jogadora também defendeu que outros clubes adotem projetos de futebol feminino e reconheçam a modalidade como uma atividade esportiva com espaço permanente dentro das estruturas dos clubes.
Categorias de base são apontadas como prioridade
Formiga ressaltou a importância da integração entre futebol feminino e masculino, especialmente no trabalho desenvolvido nas categorias de base. Na avaliação da ex-jogadora, a formação desde as primeiras etapas pode contribuir para a continuidade das atletas e para a ampliação da participação feminina no esporte.
A ex-jogadora também destacou que o futebol feminino pode influenciar não apenas meninas, mas também meninos, reforçando a necessidade de projetos que envolvam diferentes públicos e estruturas esportivas.
Para Formiga, a participação de parceiros é necessária para a continuidade de iniciativas voltadas ao desenvolvimento da modalidade. A ex-atleta defendeu investimentos permanentes e a valorização dos profissionais que atuaram na construção do futebol feminino brasileiro.
Legado do futebol feminino é parte da agenda
A trajetória histórica da modalidade também foi mencionada durante o evento. Formiga afirmou que o desenvolvimento atual do futebol feminino resulta de um processo marcado por dificuldades e pela atuação de profissionais e atletas ao longo de diferentes períodos.
A ex-jogadora defendeu que essas histórias sejam preservadas e reconhecidas como parte do processo de construção do futebol feminino no Brasil. Para ela, a evolução da modalidade depende da participação conjunta de federações, clubes, atletas, profissionais e parceiros.
Formiga também associou o desenvolvimento do futebol feminino à garantia de acesso ao esporte sem preconceito e sem discriminação de gênero. A perspectiva apresentada inclui a ampliação das oportunidades para meninas em diferentes regiões do país.
Formiga tem sete participações em Copas do Mundo
Formiga possui um dos principais registros da história das Copas do Mundo. A ex-jogadora disputou sete edições do Mundial, considerando competições masculinas e femininas, e é a futebolista com mais participações como atleta na história do torneio.
Ao longo da carreira, atuou como volante e meia e conquistou duas medalhas de prata olímpicas e um vice-campeonato mundial com a Seleção Brasileira.
Sua participação no debate sobre o desenvolvimento da modalidade ocorre atualmente também a partir de sua atuação no Ministério do Esporte, onde trabalha com políticas públicas relacionadas ao futebol e à promoção do futebol feminino.
Parceria entre FPF e Liga F amplia agenda de desenvolvimento
O acordo entre FPF e Liga F estabelece uma agenda que combina intercâmbio internacional, formação profissional, arbitragem, gestão, pesquisa e projetos sociais. A iniciativa também se relaciona à estratégia de ampliar a presença do futebol feminino em diferentes níveis de organização.
A experiência da FPF na estruturação de competições e categorias de base poderá ser compartilhada com a Liga F, enquanto a organização espanhola poderá apresentar suas experiências relacionadas à profissionalização e governança do futebol feminino.
A parceria ocorre em um momento de ampliação das discussões sobre profissionalização, formação de atletas, gestão e expansão territorial do futebol feminino. Para que esses objetivos alcancem outras regiões brasileiras, o debate apresentado no evento também aponta para a necessidade de investimentos nas categorias de base e de maior participação dos clubes.
Desenvolvimento regional é apontado como desafio
A expansão do futebol feminino para além dos grandes centros aparece como um dos principais pontos defendidos por Formiga. A proposta é criar condições para que meninas tenham acesso à formação esportiva em seus próprios estados, reduzindo a necessidade de migração precoce para grandes centros.
A estruturação de projetos locais pode envolver clubes, federações, escolas, profissionais de educação física e demais instituições ligadas ao esporte. Nesse contexto, o intercâmbio previsto entre FPF e Liga F representa uma frente específica dentro de uma agenda mais ampla de desenvolvimento da modalidade.
O acordo e as propostas apresentadas durante o Dia F: Legado e Futuro do Futebol Feminino colocam em discussão a necessidade de combinar formação, gestão, competições, arbitragem e políticas de inclusão para ampliar as oportunidades no futebol feminino brasileiro.
*Com informações da Agência Brasil.








Deixe um comentário