Nordeste concentra quase 70% da população quilombola do Brasil, aponta Censo 2022

O Nordeste concentra 906.337 pessoas quilombolas, quase sete em cada dez quilombolas residentes no Brasil, segundo dados do Censo Demográfico 2022. As informações estão reunidas no novo painel de Demografia Quilombola do Data Nordeste, plataforma de dados da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), e permitem consultar a distribuição territorial e características demográficas dessa população nos nove estados da região.

A ferramenta foi desenvolvida para ampliar o acesso a informações sobre uma população que, historicamente, teve menor presença nas estatísticas oficiais. Os dados podem subsidiar o planejamento territorial, a formulação de políticas públicas e a identificação de demandas relacionadas a serviços públicos e garantia de direitos.

O painel permite consultar informações em diferentes escalas, desde a região até os municípios, além de recortes relacionados ao semiárido e à Caatinga. Entre os dados apresentados está a diferença entre a distribuição territorial da população quilombola e a do conjunto da população brasileira: enquanto 87,41% dos brasileiros vivem em áreas urbanas, entre os quilombolas 61,7% vivem em áreas rurais.

Bahia e Maranhão concentram metade da população quilombola brasileira

Os dados do painel mostram que 567.098 quilombolas vivem no semiárido, o equivalente a mais da metade da população quilombola contabilizada no Nordeste. A distribuição territorial também revela concentração expressiva nos estados da Bahia e do Maranhão.

Somados, os dois estados reúnem 666.670 pessoas quilombolas, aproximadamente metade de toda a população quilombola do Brasil. A concentração evidencia a importância dos recortes territoriais para compreender a distribuição dessa população e orientar políticas públicas específicas.

Entre os municípios nordestinos com maior número absoluto de moradores quilombolas estão Senhor do Bonfim (BA), com 15.999 pessoas; Salvador (BA), com 15.897; e Alcântara (MA), com 15.616. Os números apresentam diferenças tanto na quantidade absoluta quanto na participação dos quilombolas na população municipal.

Alcântara tem maior proporção de quilombolas

Embora Senhor do Bonfim e Salvador estejam entre os municípios com maior número absoluto de quilombolas, Alcântara apresenta a maior concentração proporcional da região. Segundo os dados do painel, 84,5% da população do município maranhense é quilombola.

A distinção entre quantidade absoluta e proporção da população permite identificar diferentes características dos territórios quilombolas. Municípios com grandes populações podem apresentar números elevados sem que os quilombolas representem a maior parcela dos moradores, enquanto localidades menores podem registrar elevada participação proporcional.

Os recortes territoriais também permitem analisar a presença quilombola em áreas rurais, no semiárido e na Caatinga. Essas informações podem ser utilizadas para dimensionar demandas e apoiar decisões relacionadas a infraestrutura, serviços públicos, desenvolvimento regional e garantia de direitos.

População quilombola apresenta estrutura etária mais jovem

O painel do Data Nordeste também apresenta informações sobre a idade da população quilombola. Quase metade dos quilombolas brasileiros tem menos de 30 anos, enquanto, no Nordeste, a idade média é de 31 anos.

A distribuição por faixa etária também apresenta diferenças em relação ao conjunto da população brasileira. No Censo 2022, a faixa de 30 a 39 anos concentrava 15,58% da população brasileira. Entre os quilombolas, a faixa etária predominante era a de 10 a 19 anos, indicando uma estrutura demográfica mais jovem.

O perfil etário pode contribuir para o planejamento de políticas públicas relacionadas à educação, saúde, formação profissional, geração de renda e desenvolvimento das comunidades quilombolas, especialmente quando combinado aos dados territoriais disponibilizados pela plataforma.

Painel amplia acesso a dados para planejamento regional

Segundo Ludmilla Calado, coordenadora-geral de Desenvolvimento Econômico, Social, Cultural e Inovação, o painel permite identificar padrões de distribuição territorial e características demográficas da população quilombola.

A ferramenta também pode subsidiar ações relacionadas à promoção da igualdade racial, garantia de direitos e desenvolvimento das comunidades quilombolas. A plataforma disponibiliza os dados em diferentes recortes territoriais, facilitando a análise regional e municipal.

A professora Luciana Ferreira, do Observatório da Caatinga e Desertificação, parceiro da Sudene no desenvolvimento do Data Nordeste, destaca que o Censo Demográfico 2022 trouxe uma mudança na produção das estatísticas nacionais sobre essa população.

Censo 2022 incluiu população quilombola como grupo étnico

O Censo Demográfico 2022 foi o primeiro levantamento censitário realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a identificar e contabilizar a população quilombola brasileira como grupo étnico.

A inclusão desse recorte permitiu reunir informações demográficas e territoriais sobre a população quilombola em diferentes escalas. Os dados passaram a possibilitar análises sobre distribuição espacial, composição etária, localização rural e urbana e concentração territorial.

O novo painel do Data Nordeste utiliza essas informações para apresentar um retrato demográfico da população quilombola nos estados da área de atuação da Sudene. A ferramenta pode ser consultada por pesquisadores, gestores públicos e demais interessados na análise do território e na formulação de políticas públicas.


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