O economista e diplomata chileno Igor Garafulic assumiu em junho de 2026 o cargo de coordenador residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, passando a liderar a atuação conjunta de 25 agências da ONU e cerca de 3,5 mil trabalhadores no país. À frente da estrutura, o novo coordenador afirma que a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) devem permanecer como referência para o desenvolvimento brasileiro.
Com experiência em diplomacia, economia e gestão pública, Garafulic chega ao Brasil durante a chamada Década de Ação, período estabelecido para acelerar a implementação das metas previstas na Agenda 2030. Sua atuação será voltada à articulação entre diferentes áreas e instituições para aproximar os compromissos internacionais das prioridades nacionais.
Segundo o coordenador, o desenvolvimento não deve ser compreendido apenas pelo crescimento econômico. Para ele, a redução das desigualdades e a preservação ambiental precisam integrar as estratégias de desenvolvimento, com participação de diferentes segmentos da sociedade.
Experiência internacional e atuação na ONU
Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, Igor Garafulic construiu carreira ligada à diplomacia, à administração pública e ao Sistema das Nações Unidas. Antes de assumir a função no Brasil, participou de missões e atividades de gestão em diferentes países.
No Sistema ONU, exerceu funções de liderança no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e atuou em missões no Azerbaijão, Paraguai, Peru e Honduras. A experiência internacional inclui ainda atividades relacionadas à formulação e implementação de políticas públicas.
No Chile, país onde nasceu, Garafulic foi governador da Região Metropolitana de Santiago e participou de negociações de acordos comerciais internacionais. A trajetória reúne, portanto, experiências em administração pública, relações internacionais e políticas de desenvolvimento.
Agenda 2030 como referência para o desenvolvimento
Ao assumir a coordenação do Sistema ONU no Brasil, Garafulic defende a continuidade da Agenda 2030 como estratégia para orientar políticas de desenvolvimento sustentável. Ele reconhece que acontecimentos como a pandemia de Covid-19 e conflitos internacionais afetaram o ritmo de implementação de diversas metas.
Apesar desses impactos, o coordenador considera que os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável continuam sendo uma referência para enfrentar desafios econômicos, sociais e ambientais. A avaliação é de que a Agenda 2030 mantém sua função de orientar ações destinadas à redução das desigualdades e à promoção do desenvolvimento sustentável.
Garafulic também destaca a participação brasileira na implementação dos compromissos globais. Em visitas a órgãos públicos e ministérios, segundo ele, foi possível observar a incorporação da Agenda 2030 às estratégias de desenvolvimento de diferentes áreas do governo.
Cooperação entre governo, academia e setor privado
Para o coordenador residente, a implementação dos ODS exige cooperação entre governo, universidades, empresas e organizações da sociedade civil. A avaliação considera que políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável dependem de articulação entre diferentes setores.
A estratégia defendida por Garafulic prevê o fortalecimento de alianças com a academia, o setor privado e a sociedade civil organizada, além da continuidade da cooperação com órgãos governamentais. A proposta é estabelecer mecanismos que permitam alinhar as metas internacionais às necessidades e prioridades do Brasil.
O coordenador também aponta a necessidade de ampliar a capacidade de escuta, negociação e construção de consensos. Nesse contexto, a atuação do Sistema ONU no país busca apoiar iniciativas que integrem diferentes setores na execução das políticas relacionadas aos ODS.
Desigualdade e preservação ambiental no centro da estratégia
A visão apresentada pelo novo coordenador estabelece uma relação direta entre desenvolvimento econômico, redução das desigualdades e proteção ambiental. A perspectiva adotada é de que o crescimento, isoladamente, não representa a totalidade dos avanços necessários para cumprir os compromissos da Agenda 2030.
O conceito de desenvolvimento defendido por Garafulic também está relacionado ao princípio de “não deixar ninguém para trás”, estabelecido como uma das referências da Agenda 2030. A abordagem busca considerar diferentes grupos sociais nas políticas públicas e nos processos de desenvolvimento.
Ao iniciar o trabalho no Brasil, o coordenador afirma que pretende fortalecer a atuação conjunta das organizações que integram o Sistema das Nações Unidas e ampliar as parcerias nacionais. A prioridade declarada é acelerar a implementação dos ODS por meio de ações coordenadas entre instituições e setores da sociedade.
*Com informações da ONU News.








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