O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou neste domingo (09/08/2026) a trajetória dos sobreviventes do ataque nuclear contra Nagasaki, no Japão, ocorrido há 81 anos, e afirmou que a experiência dos hibakusha deve continuar orientando os esforços internacionais pela paz e pelo desarmamento nuclear.
Em mensagem divulgada pela ONU para marcar a data, Guterres homenageou os hibakusha, termo japonês utilizado para designar os sobreviventes dos ataques atômicos de Hiroshima e Nagasaki. Segundo ele, essas pessoas transformaram experiências de dor, tragédia e sofrimento em uma mensagem de resiliência, reconciliação e esperança.
A manifestação ocorre em um contexto de tensões geopolíticas, no qual o secretário-geral alertou para os riscos associados à permanência de arsenais nucleares. Para Guterres, a memória de Nagasaki precisa permanecer presente para evitar que a humanidade aceite como normal a existência de uma ameaça nuclear permanente.
Nagasaki como símbolo de memória e alerta
O ataque contra Nagasaki ocorreu em 9 de agosto de 1945, durante os últimos dias da Segunda Guerra Mundial. A cidade foi atingida por uma bomba atômica três dias depois de Hiroshima, episódio que marcou o início de uma nova dimensão dos conflitos militares e dos riscos associados às armas nucleares.
Ao recordar os sobreviventes, Guterres afirmou que suas experiências constituem uma referência para a construção de um futuro sem armas nucleares. A mensagem do secretário-geral associa a preservação da memória histórica à necessidade de impedir que novas gerações sejam submetidas aos efeitos de ataques dessa natureza.
Para o líder das Nações Unidas, Nagasaki representa simultaneamente um aviso e um guia. A cidade simboliza as consequências humanas do uso de armas nucleares e, ao mesmo tempo, reforça a necessidade de mecanismos internacionais voltados à prevenção de conflitos e à preservação da paz.
Gastos militares chegam a US$ 2,9 trilhões
Guterres também chamou atenção para o volume global de recursos destinados à área militar. Segundo o secretário-geral, as despesas militares no mundo alcançam US$ 2,9 trilhões, valor que, em sua avaliação, evidencia a dimensão dos recursos empregados em estruturas de defesa e armamentos.
A declaração ocorre em um período marcado pelo aumento das tensões entre países e pela continuidade de conflitos armados em diferentes regiões. Nesse cenário, Guterres defende que a segurança internacional não seja construída exclusivamente por meio da ampliação dos arsenais.
Segundo o secretário-geral, um futuro pacífico não pode ser construído com armas nucleares, mas por meio de confiança entre os países, cooperação, diplomacia e criação de pontes para o diálogo. A proposta coloca a negociação internacional como instrumento para reduzir riscos e administrar disputas.
Hibakusha mantêm viva a memória do ataque
Os hibakusha ocupam papel central na preservação da memória dos ataques atômicos contra Hiroshima e Nagasaki. Ao longo das décadas, sobreviventes passaram a relatar os efeitos das explosões e das consequências posteriores da exposição à radiação, contribuindo para debates internacionais sobre os riscos das armas nucleares.
Na mensagem divulgada neste aniversário, Guterres ressaltou justamente essa capacidade de transformar a experiência da destruição em uma defesa da paz. Para ele, a trajetória dos sobreviventes demonstra que a memória de acontecimentos traumáticos pode contribuir para iniciativas de reconciliação e cooperação.
A lembrança dos 81 anos do ataque a Nagasaki também reforça o papel das Nações Unidas na discussão sobre desarmamento e segurança internacional. A organização sustenta que a redução dos riscos nucleares depende de compromissos multilaterais e de mecanismos de diálogo entre os Estados.
Diplomacia como alternativa à ameaça nuclear
Ao concluir sua mensagem, Guterres defendeu uma visão de segurança internacional baseada em propósito comum e cooperação, em lugar da manutenção da paz pelo medo. A referência a Nagasaki, nesse sentido, ultrapassa a dimensão histórica e se conecta aos debates contemporâneos sobre armas nucleares.
A declaração do secretário-geral busca preservar a memória dos ataques de 1945 justamente em um período de disputas geopolíticas. A avaliação apresentada é que recordar as consequências da utilização de armas nucleares pode contribuir para impedir que esse tipo de armamento volte a ser empregado.
Para Guterres, Nagasaki deve continuar sendo um alerta para a humanidade. A cidade também representa, segundo sua mensagem, um chamado à construção de relações internacionais sustentadas pela diplomacia, pela cooperação e pelo compromisso com a paz.
*Com informações da ONU News.








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